Feirantes da Economia Solidária (Ecosol) de Araguatins levaram a discussão sobre a transferência da feira para dentro do plenário da Câmara Municipal nesta semana. O grupo compareceu à sessão ordinária da Casa para pressionar os vereadores a intermediarem uma solução junto ao Executivo municipal, depois que as tentativas de negociação direta com a Prefeitura não avançaram.
A ida ao Legislativo ocorre poucos dias depois de os comerciantes ocuparem parte do canteiro central da Avenida Araguaia, no centro da cidade, em um protesto que exigiu a intervenção da Polícia Militar para liberar a via. Com a manifestação de rua sem gerar resposta concreta da administração, os feirantes optaram por mudar de estratégia e buscar apoio institucional, levando a pauta diretamente aos parlamentares durante a sessão.
Da rua para o plenário
A presença do grupo na Câmara marca uma escalada no conflito. Desde que a Feira Ecosol foi remanejada da Avenida Araguaia para o Setor Feirinha — mudança motivada pela construção do novo terminal rodoviário de Araguatins —, os comerciantes relatam queda expressiva no movimento de clientes e, consequentemente, na renda das famílias que vivem da comercialização de alimentos, artesanato e outros produtos.
Ao procurarem os vereadores, os feirantes buscam um canal que os aproxime do prefeito Aquiles da Areia, já que as conversas diretas com o Executivo não resultaram, até agora, em uma alternativa concreta para o funcionamento da feira. A expectativa do grupo é que a Câmara atue como mediadora e cobre uma resposta formal da Prefeitura, seja por meio de audiência pública, requerimento oficial ou reunião com a equipe técnica responsável pela obra do terminal.
Por que a localização importa
Para quem depende da feira como principal ou única fonte de renda, a escolha do ponto comercial não é um detalhe menor. O trecho da Avenida Araguaia onde a Ecosol funcionava historicamente concentra fluxo constante de pedestres e veículos, características que favorecem vendas por impulso e a fidelização de clientes de passagem. Já o Setor Feirinha, segundo os próprios comerciantes, ainda não consolidou o mesmo volume de circulação, o que penaliza diretamente o faturamento diário dos produtores.
A feira reúne pequenos empreendedores, agricultores familiares e artesãos vinculados à política estadual de Economia Solidária, modelo que incentiva a geração de renda por meio de cooperativismo e autogestão. Na prática, isso significa que a queda nas vendas atinge não apenas indivíduos isoladamente, mas uma rede de famílias organizada coletivamente em torno da atividade.
O que está em jogo com a obra do terminal
A raiz do impasse está no cronograma da nova rodoviária de Araguatins. Antiga rodoviária e feira dividiam o mesmo espaço na Avenida Araguaia, área que precisou ser liberada para dar lugar à obra. Enquanto o terminal não fica pronto, tanto o embarque provisório de passageiros quanto a feira foram realocados — mas, segundo os feirantes, sem um planejamento que garantisse condições equivalentes de movimento comercial no novo endereço.
É esse descompasso entre o interesse público da obra e o impacto direto sobre a subsistência dos feirantes que agora chega formalmente ao Legislativo municipal.





