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sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Canetas emagrecedoras mudam hábitos alimentares e criam oportunidades no campo

18 de setembro de 2026

Menos biscoitos, refrigerantes e refeições prontas; mais ovos, carnes, leite, leguminosas e cereais com maior valor nutricional. Esse movimento começa a aparecer entre usuários de medicamentos injetáveis para perda de peso e pode alterar não apenas o consumo das famílias, mas também a demanda dirigida à pecuária, à avicultura, aos laticínios e à produção de grãos.

Em levantamento da Pluxee com 1,2 mil usuários, 84% declararam ter reduzido alimentos industrializados, 83% diminuíram ultraprocessados e 57% passaram a priorizar fontes de proteína. Os números retratam o comportamento dos participantes da pesquisa e não devem ser automaticamente estendidos a toda a população, mas indicam uma mudança que já desperta a atenção de produtores e indústrias de alimentos.

A endocrinologista Bruna Cavalheiro explica que esses medicamentos atuam nos mecanismos cerebrais ligados à fome e à recompensa alimentar, o que pode diminuir o desejo por produtos ricos em açúcar, gordura e sal. Como o emagrecimento também pode envolver perda de massa muscular, a alimentação adequada e os exercícios de força devem ser definidos com acompanhamento médico e nutricional. Os medicamentos precisam ser prescritos e adquiridos em estabelecimentos autorizados; produtos sem registro não têm segurança, composição ou eficácia garantidas, alerta a Anvisa.

No campo, o soro do leite usado na produção de whey protein ganhou valor, enquanto carnes magras, frango e ovos se beneficiam da procura por proteínas de alto valor biológico. A pecuária de corte identifica espaço para carnes produzidas com bem-estar animal, integração lavoura-pecuária e manejo a pasto. Na avicultura, ovos enriquecidos e linhas de frango com atributos específicos já formam um portfólio voltado ao consumidor interessado em saúde e qualidade.

Nas lavouras, produtores relatam maior interesse por aveia, trigo-mourisco e proteína de soja, embora o avanço ainda não apareça de forma expressiva nas estatísticas. Para aproveitar a tendência, o setor rural terá de investir em qualidade, certificação, diversificação e parcerias com a indústria. O efeito financeiro pode demorar a alcançar as propriedades, pois a valorização costuma começar no processamento e no varejo antes de chegar ao preço recebido pelo produtor.

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