A pecuária brasileira deve iniciar 2027 com menos animais enviados aos frigoríficos e maior retenção de matrizes para recompor o rebanho. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), compiladas pela Terra Agro Insights, estimam o abate de 48,2 milhões de bovinos, queda de 2,6% sobre 2026, e produção de 12 milhões de toneladas de carne, recuo de 2%. Em sentido contrário, o nascimento de bezerros pode crescer 3,6%, alcançando 50 milhões de cabeças.
A oferta mais restrita também deverá afetar o mercado interno. O consumo nacional é projetado em 7,94 milhões de toneladas, redução de 2%, enquanto as exportações devem permanecer próximas dos níveis atuais, com 4,10 milhões de toneladas — baixa de apenas 1%. A combinação entre menos bovinos disponíveis e embarques ainda elevados tende a dar sustentação aos preços da arroba, embora o comportamento das cotações também dependa da demanda, dos custos de produção e das condições econômicas.
No comércio exterior, China, Estados Unidos e União Europeia serão decisivos. A cota chinesa exigirá controle do ritmo dos embarques; a menor oferta norte-americana poderá ampliar oportunidades para a carne magra brasileira utilizada na fabricação de hambúrgueres; e novas exigências europeias relacionadas à resistência antimicrobiana poderão dificultar vendas ao bloco. Apesar dos desafios, o USDA projeta que o Brasil continuará como o maior produtor e exportador mundial de carne bovina em 2027.


