O Ministério Público do Tocantins pediu ao Tribunal de Justiça a transferência para Palmas do julgamento de Reginaldo de Sousa Leal, acusado de participação no assassinato do ex-vice-prefeito de Sítio Novo, Antônio Leal de Almeida, o Cazumba. O órgão também solicitou, em caráter liminar, a suspensão do júri que estava marcado para esta quarta-feira (26), às 8h30, na Comarca de Itaguatins. Como alternativa, o MP indicou Araguaína para sediar a sessão.
Reginaldo foi pronunciado por homicídio qualificado, decisão que autoriza o julgamento pelo Tribunal do Júri, mas não representa condenação. Conforme a acusação, ele teria atuado como intermediário na contratação dos executores. A tese investigativa aponta que o crime teria sido encomendado por causa de uma dívida milionária e envolveria promessa de pagamento de R$ 40 mil. A responsabilidade penal será decidida pelos jurados.
Cazumba foi morto a tiros em 14 de dezembro de 2024, dentro de uma caminhonete, na estrada do povoado Boa Esperança, zona rural de Sítio Novo. Ex-vereador, ex-vice-prefeito e pecuarista, ele tinha 60 anos. As investigações resultaram na identificação de suspeitos de atuar como mandante, intermediário e executores.
No pedido de desaforamento, protocolado em 14 de agosto, o Ministério Público sustenta que a repercussão do homicídio e os vínculos políticos, econômicos e comunitários da vítima e dos acusados podem comprometer a imparcialidade dos jurados. O documento destaca que Itaguatins possui pouco mais de 5 mil habitantes e que as relações de proximidade existentes na região poderiam influenciar a formação do Conselho de Sentença.
O MP também aponta riscos à segurança de jurados, testemunhas e demais participantes do julgamento. Entre os fatos mencionados estão a morte violenta de um dos acusados no Pará, a fuga do homem apontado como mandante, a apreensão de armas e as suspeitas de destruição de aparelhos celulares e chips que poderiam conter provas. Essas circunstâncias integram a argumentação da acusação e ainda estão submetidas ao processo judicial.
O processo de Reginaldo foi separado do caso principal porque ele não recorreu da decisão de pronúncia, enquanto outros dois acusados apresentaram recursos. O edital oficial do Tribunal de Justiça confirmou inicialmente o júri para 26 de agosto, no Fórum de Itaguatins.


