Uma publicação do pastor Walmir Andrade, da Igreja Batista Crescer–Sibapa, em Palmas, provocou reação do Núcleo de Evangélicos e Evangélicas do PT no Tocantins (NEPT-TO) e ampliou o debate sobre a mistura entre religião e política nas comunidades religiosas. A manifestação, intitulada “Esse não!”, defende maior participação dos evangélicos nas eleições e a escolha de representantes identificados com dogmas religiosos.
No pronunciamento, Walmir afirma que a omissão política dos evangélicos teria prejudicado o país e declara existir uma mobilização nacional para eleger deputados estaduais, federais e senadores. Ao defender que a igreja não permaneça “em cima do muro”, o pastor também emprega expressões como “antagóspel” e “besta quadrada” para se referir a pessoas que adotam posições diferentes.
A resposta foi assinada pelo pastor Gilvaldo de Vasconcelos Santos, co-coordenador do NEPT-TO. Em carta aberta, o grupo reconhece como legítima a participação de cristãos no debate público, mas critica a tentativa de apresentar uma orientação política como a única compatível com a fé evangélica. O documento também questiona o tratamento dirigido a fiéis considerados isentos ou progressistas e afirma que manifestações desse tipo podem aprofundar divisões dentro das igrejas.
O núcleo ligado ao PT defende que as comunidades religiosas discutam temas como desigualdade social, educação, saúde, geração de renda, proteção de mulheres e crianças, segurança e combate à violência. Para Gilvaldo, divergências partidárias não deveriam impedir a convivência entre cristãos nem transformar os púlpitos em espaços de constrangimento para quem pensa de maneira diferente.
O episódio evidencia uma disputa de narrativas pelo voto evangélico no Tocantins e reforça a necessidade de distinguir orientação religiosa, opinião política pessoal e atuação eleitoral. Pastores e fiéis têm liberdade para participar do debate público, mas o voto é individual e secreto. Ao eleitor cabe avaliar propostas, trajetórias e interesses envolvidos, sem aceitar intimidação ou condicionamento de sua participação religiosa a determinada escolha partidária.


