Se a disputa pelo Governo do Tocantins já entrou em campo com troca de críticas, posicionamentos e demonstrações de força entre Vicentinho Júnior (PSDB), Professora Dorinha (União Brasil) e Laurez Moreira (PSD), a corrida ao Senado segue em uma velocidade que surpreende até mesmo veteranos da política estadual. A impressão que se consolida nos bastidores é que existe um silêncio quase absoluto em torno da reeleição do senador Eduardo Gomes (PL), principal nome da disputa neste momento.
O que chama atenção não é apenas a vantagem política construída por Gomes ao longo dos últimos anos, mas a ausência de enfrentamento por parte de possíveis adversários. Nomes como Irajá Abreu (PSD), Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União Brasil), Eli Borges (Republicanos), Ronaldo Dimas (Podemos) e Vanderlei Luxemburgo (Podemos) aparecem nas articulações eleitorais, mas, até aqui, evitam confrontar diretamente o senador, seja em relação ao mandato, às entregas políticas ou às pautas defendidas em Brasília.
Na prática, o cenário acaba transmitindo ao eleitor a sensação de que uma das duas cadeiras ao Senado já teria dono definido antes mesmo do início oficial da campanha. Enquanto os pré-candidatos ao Governo disputam espaço, narrativas e visibilidade diariamente, a disputa senatorial parece caminhar sem contraponto relevante, reduzindo o debate público sobre propostas, resultados e perspectivas para a representação do Tocantins no Congresso Nacional.
A política, porém, costuma punir zonas de conforto. Sem debate, sem comparação de projetos e sem questionamentos legítimos entre adversários, o eleitor perde a oportunidade de avaliar alternativas. Resta saber se os pré-candidatos ao Senado manterão a postura cautelosa ou se, em algum momento, decidirão transformar uma disputa que hoje parece protocolar em uma verdadeira competição política. Até lá, Eduardo Gomes segue navegando em águas consideravelmente mais tranquilas do que aquelas enfrentadas pelos postulantes ao Palácio Araguaia.





