A ausência de Irajá Abreu nas agendas conjuntas de Laurez Moreira (PSD) e Paulo Mourão (PT) expõe uma divisão dentro da aliança que prepara a disputa pelo Governo e pelas duas vagas do Tocantins no Senado. Enquanto Laurez percorre o estado acompanhado do pré-candidato petista, Irajá tem mantido compromissos separados, movimento que reduz sua presença no principal palanque organizado pelo próprio partido.
O afastamento ocorre após divergências sobre a composição da chapa majoritária. Laurez sustenta que o acordo entre PSD e PT reserva uma candidatura ao Senado para Irajá e outra para Paulo Mourão. A tensão aumentou quando o senador apresentou Ivanete Lima como pré-candidata ao mesmo cargo, iniciativa classificada como “absurda” pelo presidente estadual do PSD.
Nos bastidores, aliados atribuem o distanciamento à insatisfação de Irajá com a aproximação entre Laurez e Mourão. O senador avaliaria que a presença do petista na chapa amplia a concorrência pelo eleitorado ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segmento no qual Irajá também busca apoio. Essa versão, entretanto, não foi confirmada publicamente pelo parlamentar.
A estratégia separada pode dificultar a reeleição de Irajá ao limitar sua participação nas agendas regionais de Laurez e dividir o espaço político com Paulo Mourão. O senador tem voltado a associar sua imagem ao presidente Lula, enquanto o pré-candidato do PT percorre os municípios ao lado do candidato ao Governo e se apresenta como representante direto do campo governista federal.
A definição deverá avançar nas convenções partidárias do PSD e do PT, previstas para terça-feira, 4 de agosto, em Palmas — e não no dia 3, que cairá em uma segunda-feira. Até a formalização das candidaturas, Irajá permanece incluído por Laurez entre os dois nomes da aliança para o Senado, mas a falta de atuação conjunta mantém dúvidas sobre o grau de unidade do grupo durante a campanha.





