Ananás e Darcinópolis são os dois municípios do Bico do Papagaio alcançados pelas buscas da Operação ÔM3GA, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins na manhã desta quarta-feira (14). A ação investiga suspeitas de fraudes em licitações, peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os dois municípios integram a lista de 11 cidades onde são cumpridas ordens judiciais relacionadas a possíveis irregularidades em contratações públicas.
Darcinópolis também está na origem da investigação, iniciada em 2024 após suspeitas envolvendo contratos municipais na cidade e em Nova Olinda. Segundo a 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Araguaína (3ª DEIC), contratos de contabilidade firmados sem licitação teriam permitido a aproximação do grupo com as administrações. Posteriormente, novas contratações seriam direcionadas a empresas relacionadas aos investigados, em áreas como engenharia, digitalização de documentos e locação de veículos.
No conjunto da operação, mais de 100 policiais civis cumprem 70 mandados de busca e apreensão relacionados a 41 alvos, por determinação do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO). As diligências abrangem órgãos públicos, empresas, escritórios de advocacia e residências. Entre os investigados estão quatro prefeitos em exercício, um ex-prefeito, dois presidentes de câmaras municipais, advogados, contadores e empresários. As informações divulgadas não identificam a quais municípios pertencem os gestores investigados.
A análise financeira da Polícia Civil aponta que empresas de contabilidade investigadas receberam mais de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2025, principalmente de órgãos municipais e fundos públicos. Mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados como propina a agentes públicos e outras pessoas envolvidas. Esses valores dizem respeito à investigação como um todo, sem detalhamento específico para Ananás ou Darcinópolis. Uma planilha encontrada em arquivos digitais apresentaria registros de pagamentos identificados como “voltas”.
A Justiça determinou a suspensão dos contratos públicos vigentes de 14 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado e proibiu novas contratações com a administração pública. Também impôs restrições a cinco investigados e autorizou a quebra de sigilo bancário. As buscas procuram esclarecer responsabilidades individuais e dimensionar eventuais prejuízos aos cofres públicos; as suspeitas permanecem sob apuração.



