A disputa por uma vaga no Senado Federal pelo Tocantins sofreu uma mudança importante nesta sexta-feira, 12, com o anúncio da desistência do ex-governador Mauro Carlesse de sua pré-candidatura. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Carlesse afirmou que a aproximação entre o PSD e o PT tornou inviável a continuidade de seu projeto político, motivo que o levou a retirar seu nome da corrida eleitoral.
Apesar da justificativa apresentada publicamente, nos bastidores a avaliação de lideranças e analistas políticos é de que a decisão também ocorre em meio às dificuldades da pré-campanha para ganhar competitividade. Levantamentos e sondagens realizados até o momento não indicavam um desempenho capaz de colocá-lo entre os principais nomes da disputa ao Senado. Com a saída de Carlesse do cenário, o quadro eleitoral tende a ser reconfigurado, abrindo espaço para a redistribuição de apoios e para o fortalecimento de outros pré-candidatos na corrida pela única vaga que estará em disputa em 2026.
Mauro Carlesse ganhou destaque no cenário público do Tocantins na década de 2010. Nascido no Paraná, ele iniciou sua trajetória política formal no Tocantins ao presidir o Sindicato Rural de Gurupi e, posteriormente, eleger-se deputado estadual em 2014. Sua ascensão ao governo do estado ocorreu em 2018 de forma atípica: como presidente da Assembleia Legislativa, ele assumiu o comando do Executivo interinamente após a cassação do então governador Marcelo Miranda. No mesmo ano, Carlesse consolidou sua liderança nas urnas ao vencer a eleição suplementar (mandato-tampão) e, logo em seguida, ser reeleito em primeiro turno para o mandato definitivo.
A fase final de sua gestão, no entanto, foi marcada por graves turbulências jurídicas e políticas. Em outubro de 2021, Mauro Carlesse foi afastado do cargo por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tornando-se alvo de operações da Polícia Federal (como as operações Éris e Hygea) que investigavam supostos esquemas de corrupção, pagamento de propina e obstrução de justiça no estado. Diante do afastamento prolongado e com um processo de impeachment em andamento na Assembleia Legislativa, Carlesse optou por renunciar definitivamente ao mandato de governador em março de 2022, alegando que a decisão facilitaria a apresentação de sua defesa na Justiça.





