O vice-prefeito Abrão Carolino da Silva, conhecido como Cabeça (PP), tomou posse nesta quarta-feira (13) como prefeito interino de Praia Norte em meio à crise política provocada pelo afastamento judicial da prefeita Bruna Gabrielle Neves Pires de Araújo. Durante discurso na Câmara Municipal, Cabeça afirmou que pretende conduzir a gestão com foco nos problemas administrativos e na reorganização do município, especialmente em áreas consideradas prioritárias, como o pagamento dos servidores e a continuidade dos serviços públicos.
Ao falar aos vereadores e moradores presentes na sessão extraordinária, o novo gestor interino adotou tom conciliador e disse que pretende manter diálogo com todos os grupos políticos da cidade. “A justiça nos colocou aqui. Quero dizer a vocês que, a partir de hoje, se eu ficar um dia, eu não tenho adversários. Meus adversários serão os problemas do município, organizar o salário do povo. Para mim, não tem vereador de oposição”, afirmou. Em outro trecho do pronunciamento, Cabeça destacou sua ligação pessoal com Praia Norte e declarou que pretende atuar com cautela diante do cenário enfrentado pela administração municipal. “Não vou deixar sujar meu nome com coisa errada. Porque, se eu fizer qualquer coisa errada, talvez o meu caminho seria afastado também”, disse.
O prefeito interino também reconheceu publicamente a relação política e pessoal construída ao longo dos anos com Ho Che Min, ex-prefeito e padrinho político de Bruna. “O maior parceiro que eu já tive em toda a minha vida foi o Ho Che Min”, declarou, ao mesmo tempo em que sinalizou intenção de imprimir um perfil próprio na condução da gestão durante o período de interinidade.
A posse de Cabeça ocorre após decisão da Justiça do Tocantins que afastou Bruna Gabrielle por 90 dias, dentro de investigação sobre supostas irregularidades em contratos públicos que ultrapassariam R$ 4,4 milhões. O Ministério Público apura possíveis desvios de recursos envolvendo locação de veículos, obras e recuperação de estradas vicinais. Apesar das medidas cautelares já determinadas, os investigados ainda poderão apresentar defesa no decorrer do processo judicial, que segue em tramitação.





