A disputa por espaço no campo conservador e evangélico do Tocantins tende a ganhar novos contornos nas eleições de 2026. Embora pertençam à Assembleia de Deus Ministério Madureira e compartilhem a mesma base religiosa, o deputado federal e pré-candidato ao Senado, Eli Borges, e o grupo político liderado pelo deputado federal Filipe Martins caminham para mais uma eleição sem atuação conjunta. Nos bastidores, a relação entre as duas correntes é descrita como um distanciamento consolidado ao longo dos últimos pleitos, marcado por divergências políticas e ausência de alinhamento eleitoral.
Um dos episódios que simbolizou esse desgaste ocorreu após as eleições de 2022. Eli Borges foi reeleito deputado federal com cerca de 35 mil votos, enquanto Filipe Martins obteve mais de 36 mil. Na sequência do resultado, circulou um áudio atribuído a Eli, no qual o parlamentar lamentava o desempenho nas urnas e classificava o resultado como “humilhante”. Desde então, interlocutores dos dois grupos não registraram qualquer movimento público de reaproximação, mantendo uma convivência institucional, mas sem convergência política.
As diferenças também ficaram evidentes nas eleições municipais de Palmas. Eli Borges adotou posição contrária à chapa de Eduardo Siqueira Campos, que tinha como candidato a vice-prefeito Carlos Veloso, sobrinho de Amarildo Martins, presidente da Assembleia de Deus Ministério Madureira no Tocantins e principal liderança do chamado clã Martins. Para o cenário de 2026, a expectativa nos bastidores é de que o Ministério Madureira não esteja ao lado da pré-candidatura de Eli ao Senado, enquanto Filipe Martins concentra esforços para buscar a reeleição à Câmara dos Deputados.
O episódio evidencia que, na política, identidade religiosa nem sempre se traduz em unidade eleitoral. Mesmo integrando a mesma denominação, as estratégias adotadas pelos dois grupos apontam para projetos distintos e divisão dentro da igreja. Enquanto Eli Borges amplia o diálogo com outras lideranças e ministérios evangélicos em busca de sustentação para sua candidatura ao Senado, o grupo Martins preserva sua própria articulação política. O resultado é uma disputa silenciosa, porém estratégica, que deve influenciar o redesenho das forças conservadoras no Tocantins durante a campanha de 2026.





