O excesso de chuva pode reduzir a janela de colheita da cana-de-açúcar e prolongar a entressafra brasileira. Na avaliação de Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, as precipitações associadas ao El Niño podem antecipar encerramentos da moagem de 2026/2027 a partir do fim de outubro e atrasar em um mês a um mês e meio o início do ciclo 2027/2028, com retomada mais generalizada em maio de 2027. Além das interrupções no campo, a umidade elevada pode reduzir a concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador da quantidade de açúcar aproveitável na matéria-prima.
Nesse cenário, a consultoria projeta a destinação de 53% da cana ao etanol e 47% ao açúcar. Segundo Muruci, a preferência pelo combustível está relacionada à demanda e à necessidade de manter o fluxo de caixa das usinas. O analista explica que o etanol pode ser produzido em uma semana e vendido na seguinte, enquanto a receita das exportações de açúcar costuma levar de 45 a 50 dias para ingressar. A decisão sobre o que fabricar, portanto, envolve tanto as cotações quanto o prazo de recebimento das vendas.
Para o mercado internacional, a Safras & Mercado estima déficit de aproximadamente 6 milhões de toneladas de açúcar, diante de perdas produtivas em países como Índia e Tailândia e recuos na União Europeia e na China. Na projeção apresentada por Muruci, a oferta mais restrita pode sustentar preços entre 23 e 25 centavos de dólar por libra-peso em Nova York no início de 2027. Essa expectativa depende da confirmação das perdas e da evolução do clima; para as usinas brasileiras, preços mais elevados poderão coexistir com dificuldades de colheita e menor rendimento industrial.



