A crise provocada pela interdição total da ponte no Rio Araguaia entre Araguatins-TO e Palestina-PA, na rodovia Transamazônica (BR-230), voltou a mobilizar autoridades, empresários e moradores da região do Bico do Papagaio nesta quarta-feira (20), durante reunião realizada na Câmara Municipal de Araguatins. Entre as principais reivindicações apresentadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estão o funcionamento das balsas durante 24 horas e a possibilidade de manutenção da travessia de pedestres e veículos pequenos pela ponte, caso estudos técnicos apontem segurança para operação controlada. A discussão ocorre em meio ao aumento da pressão popular por soluções emergenciais capazes de reduzir os impactos econômicos e sociais causados pela paralisação da principal ligação entre Tocantins e Pará.
Durante o encontro, comerciantes relataram prejuízos considerados severos após o bloqueio da estrutura sobre o Rio Araguaia. Segundo empresários presentes, alguns estabelecimentos registraram queda de até 60% nas vendas, enquanto outros afirmaram ter perdido cerca de 90% do movimento desde a interrupção da travessia. O cenário já provocou medidas de contenção financeira, incluindo férias coletivas, redução de equipes e demissões. Além dos impactos no comércio, moradores também relataram dificuldades no deslocamento diário, acesso a serviços de saúde, transporte de mercadorias e circulação entre municípios do Bico do Papagaio e da região de Carajás.
Em paralelo às discussões locais, o diretor-geral do DNIT, Fabrício de Oliveira Galvão, informou que solicitou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) a liberação emergencial das balsas entre Araguatins e Palestina do Pará. O órgão federal prevê inicialmente operação com cobrança, até a conclusão do processo para implantação do serviço gratuito. Enquanto a nova ponte não é construída — obra prevista para entrar em fase de licitação em junho de 2026 — lideranças políticas e representantes da sociedade civil defendem medidas imediatas para evitar agravamento da crise econômica regional e garantir segurança na mobilidade da população que depende diariamente da BR-230.





