A possível circulação antecipada de um arquivo atribuído à prova para o cargo de analista administrativo está entre as irregularidades investigadas no concurso público da Prefeitura de Araguaína. Segundo documentos recebidos pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), o material teria sido compartilhado em grupos de WhatsApp por volta das 11h39 de domingo (23), antes da divulgação oficial dos cadernos de questões pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB).
A autenticidade e a origem do arquivo ainda não foram confirmadas, assim como não está comprovado que candidatos tenham obtido acesso indevido ao conteúdo. Para esclarecer o caso, o IDIB deverá informar se o material corresponde total ou parcialmente à prova aplicada e detalhar os procedimentos de elaboração, impressão, transporte, armazenamento e distribuição. Também foi determinada a preservação de registros eletrônicos, como históricos de acesso, download, impressão e compartilhamento.
O procedimento apura ainda diferenças na fiscalização entre salas e locais de prova. Há relatos de candidatos autorizados a entrar com garrafas térmicas e sacolas, enquanto outros teriam recebido orientação para utilizar apenas recipientes transparentes e sem rótulo. Também são investigados possíveis horários diferentes para o início da avaliação dentro de uma mesma sala, inconsistências em cartões-resposta, problemas no acesso aos locais, falhas de fiscais e sucessivas retificações dos quatro editais.
O IDIB, a Prefeitura de Araguaína e a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil terão dez dias para apresentar documentos e esclarecimentos. A abertura do procedimento não confirma fraude nem representa, por si só, cancelamento das provas. Após analisar as respostas, a Promotoria poderá arquivar a apuração, expedir recomendações ou adotar medidas judiciais, incluindo eventual ação civil pública.


