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TOCANTINÓPOLIS: Povo Apinajé ganha protagonismo em projeto inédito de material didático na língua indígena no Tocantins

29 de maio de 2025

Em uma iniciativa considerada histórica para os povos indígenas do Tocantins, o Governo do Estado deu início à formação de professores indígenas que serão responsáveis pela produção de materiais didáticos na língua materna das oito etnias presentes no território, com destaque para o povo Apinajé, majoritariamente presente em Tocantinópolis. A ação integra o Programa de Fortalecimento da Educação Indígena (PROFE Indígena) e é conduzida pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Os encontros ocorrem nos dias 28 e 29 de maio, no campus Graciosa da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), em Palmas.

O projeto prevê a produção de 24 livros — três por etnia — que abordarão conteúdos voltados à língua indígena, cosmologia e saberes tradicionais. O diferencial está na autoria: os textos serão escritos por professores indígenas, selecionados por meio de processo seletivo, que também receberão bolsas para atuar na produção. Entre os participantes, educadores Apinajé com sólida trajetória acadêmica e profundo vínculo com a cultura de seu povo assumem papel central na elaboração das obras.

A professora Maria Aparecida Amnhàk Apinajé ressaltou a importância do momento como um marco para a valorização da identidade cultural indígena. “Estamos escrevendo nossas histórias com nossas palavras, na nossa língua. Isso fortalece a educação, mas também o orgulho de ser Apinajé. É um reconhecimento que há muito tempo esperávamos”, afirmou. A iniciativa rompe com a tradição de materiais impostos externamente e marca o início da valorização efetiva da perspectiva indígena na educação formal.

Atualmente, Tocantinópolis é uma das seis regionais da Seduc que atendem comunidades indígenas. A rede estadual de ensino conta com 96 escolas indígenas e mais de 6.300 estudantes. Para os povos originários, como os Apinajé, que mantêm uma relação histórica com o território e enfrentam desafios constantes de reconhecimento, ver sua língua e cultura oficialmente incorporadas ao currículo escolar é mais do que um avanço pedagógico — é um passo importante na luta pela preservação de sua identidade ancestral.

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