Situação mostra despreparo da Prefeitura e da Políca para agir em meio a crises. Uma sequência de idas frustradas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 Horas) de Tocantinópolis, no Bico do Papagaio, terminou em caso de polícia nesta semana. A moradora Dane Oliveira afirma que procurou a unidade ao menos seis vezes, ao longo de cerca de 20 dias, em busca de atendimento para o sobrinho, um bebê de apenas 6 meses, sem conseguir solução para o quadro de saúde da criança.
Segundo o relato, na tentativa mais recente, a mulher encontrou a unidade sem médicos em atendimento, mesmo com pacientes aguardando. Diante da situação, ela gravou um vídeo mostrando consultórios vazios e a área de espera lotada. As imagens passaram a circular e levantaram questionamentos sobre a regularidade do atendimento e a escala de profissionais na unidade, que é responsável por casos de urgência e emergência na região.
Após a gravação, um médico teria acionado a Polícia Militar, que se deslocou até a UPA. Dane foi conduzida à delegacia sob a acusação de desacato, em uma abordagem que, segundo testemunhas, envolveu uso de força. Para ser liberada, ela precisou pagar fiança equivalente a um salário mínimo. O caso reacende o debate sobre os limites entre o direito do cidadão de registrar e denunciar falhas no serviço público e a atuação das autoridades diante de situações de tensão.
Especialistas apontam que usuários do sistema de saúde têm direito à informação e ao atendimento digno, conforme prevê a legislação brasileira. A ausência de profissionais em unidades de pronto atendimento pode configurar falha administrativa e deve ser apurada pelos órgãos competentes. Até o momento, não houve posicionamento oficial da gestão municipal de Tocantinópolis sobre o ocorrido nem esclarecimentos sobre a escala médica no dia do episódio.
UPA é um problema antigo
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tocantinópolis já foi alvo de investigação do Tribunal de Contas do estado, que chegou a identificar 21 irregularidades críticas que colocam em xeque a segurança dos pacientes. O relatório detalhou um quadro alarmante que ia desde a presença de medicamentos vencidos e falhas graves na manutenção de equipamentos vitais até o sucateamento da frota de ambulâncias, flagradas com pneus desgastados e sem climatização básica. Embora a gestão municipal tenha anunciado recentemente planos de reestruturação e novas diretrizes para servidores, a unidade ainda luta para superar o estigma da precariedade, refletindo um gargalo estrutural que sobrecarrega o sistema de saúde local.





