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Fiscalização do Ibama causa revolta em moradores no sudoeste do Pará

27 de maio de 2014

IBAMAUma fiscalização de combate ao desmatamento na região da BR-163 gerou protestos no distrito de Cachoeira da Serra, no sudoeste do Pará. Carretas foram incendiadas durante operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) causando revolta nos moradores, que interditou a rodovia e invadiu o hotel onde os fiscais do instituto estão hospedados, em Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira.

Os veículos foram destruídos durante a operação ‘Onda Verde’, que o Ibama realiza continuamente para combater o desmatamento na região. Segundo o órgão, os veículos incendiados estavam no entorno de uma reserva indígena. Segundo Leandro Aranha, superintendente em exercício do Ibama, a destruição dos veículos é uma ação prevista na legislação. “Havia madeira dentro da terra indígena, pronta para ser retirada. É feita a destruição desse veículo para que não retorne a cometer esses mesmos crimes”, relatou Aranha.

A queima das carretas causou revolta entre os moradores, que bloquearam a rodovia BR-163 durante dois dias em protesto. O madeireiro Lotário Tarca, dono de uma das carretas, questionou a ação do órgão. “O excesso, a truculência, a forma empregada é que está exagerada. O caminhão estava carregado? Não viram toras em cima do caminhão, e por estar próximo da área indígena não significa que eu iria na área indígena”, disse Tarca. Os manifestantes chegaram a invadir o hotel que hospeda os agentes do Ibama. Policiais Militares usaram spray de pimenta para dispersar a multidão.

De agosto de 2013 a abril deste ano, o Ibama aplicou 188 multas no valor de mais de R$ 133 milhões na região da BR-163, além de apreender 74 veículos e 57 motoserras. Durante o período, 306 km² de florestas foram desmatadas, quase 60% da área que corta a rodovia Santarém-Cuiabá. “É um lugar que, enquanto tiver este nível de crime ambiental, o Ibama se fará presente ano após ano. É um alvo prioritário do governo brasileiro no combate ao desmatamento”, afirma Leandro Aranha.

Em Cachoeira da Serra a maioria das áreas não é titulada, e a população pede a presença do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no distrito para que a regularização das terras seja feita. “Nós queremos que venham e documente, e deem títulos para que a gente possa trabahar dentro da legalidade”, disse o agricultor Dirceu Zanatta. A questão será tema de uma reunião prevista para esta semana em Brasília, com representantes do Incra e de outros órgãos ambientais.

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