O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através do Grupo Especial de Operação Móvel, e Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgataram, no último dia 25, 102 trabalhadores que estavam trabalhando em situações precárias, o que caracteriza análoga a de escravo. Os homens estavam em duas fazendas situadas na zona rural de Darcinópolis.
De acordo com Humberto Célio Pereira, coordenador do Grupo Especial de Operação Móvel, os trabalhadores estavam em situação degradante de saúde e de vida. “Eles não tinham condições mínimas de higiene, não tinham energia, água potável, banheiros, área de vivência, transporte adequado, nem equipamentos de proteção individual necessários para o tipo de trabalho que estavam desenvolvendo”, ressaltou.
O coordenador disse que na primeira fazenda, Vale do Canoa III, de propriedade da Siderúrgica Viena de Açailândia (MA), os homens trabalhavam no corte de eucalipto e na produção de carvão. “Eram 88 trabalhadores, a maioria dos estados do Maranhão e Pará”, explicou. Pereira disse que na outra fazenda, Buriti, da proprietária Úrsula Zinnerli Johansen foram encontrados 14 homens, responsáveis pelo corte de madeira para abastecer fornos de caldeiras em frigoríficos e laticínios de Araguaína.
Os trabalhadores da Fazenda Vale da Canoa III devem receber uma verba indenizatória no valor de R$ 210 mil; da Fazenda Buriti, a verba será de R$ 37 mil. Todos vão ter os contratos rescindidos e vão receber seguro desemprego, informou Pereira.
O coordenador explicou que tanto a siderúrgica quanto a proprietária da outra fazenda já foram autuados e vão ser acionados civilmente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) junto à Justiça do Trabalho e criminalmente pelo Ministério Público Federal (MPF), junto à Justiça Federal.
Reunião
Os trabalhadores devem se reunir nesta quarta-feira, 31, às 10 horas, na Câmara de Vereadores de Darcinópolis, com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério Público Federal (MPF). A reunião contará com a presença do superintendente regional do Incra no Tocantins, Ruberval Gomes da Silva. “A intenção é cadastrar estas famílias para que futuramente sejam beneficiadas pela Reforma Agrária, e passem de empregados para empreendedores”, disse Silva. (ONG Repórter Brasil)



Estou surpreso com a presença do Senhor Ruberval Gomes da Silva, Superintendente do INCRA, na Câmara Municipal de Darcinópolis para fazer o cadastramento de trabalhadores egressos do Maranhão e Pará, para fins de reforma agrária.
Essa presença cheira demagogia. Gostaria mesmo que esse superintendente procurasse viabilizar o assentamento das centenas de famílias acampadas nas beiras de rodovias na região do BICO e neste estado a fora.
A Reforma Agraria é uma luta histórica dos trabalhadores do campo e da cidade pela democratização da Terra. Precisa ser encarada de frente e com seriedade.