O município de São Bento,no Bico do Papagaio, recebe nesta semana, as ações do projeto Vidas Planejadas, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), com foco na ampliação do acesso ao planejamento sexual e reprodutivo e na redução dos índices de mortalidade materna, fetal e infantil. A proposta será implantada gradativamente nos 139 municípios tocantinenses.
A ação contempla tanto a inserção do dispositivo intrauterino (DIU) em mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quanto a capacitação de médicos da atenção primária para garantir a continuidade do serviço nos municípios.
De acordo com a presidente do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Fetal e Infantil (Cepomfi), Raquel Marques, o projeto chega à região com impacto direto na saúde das mulheres. “O projeto Vidas Planejadas é uma iniciativa do Governo do Estado e da SES e está chegando às cidades de São Bento, Maurilândia, Itaguatins e São Miguel. O objetivo é beneficiar cerca de 140 mulheres com a inserção do DIU e capacitar médicos da atenção primária para realizar tanto a inserção quanto a retirada do dispositivo”, explicou.
Raquel Marques também destacou que o método tem longa duração e contribui significativamente para a prevenção de situações de risco. “O DIU dura de 10 a 12 anos e ajuda a prevenir óbitos maternos, fetais e infantis, além da gravidez na adolescência e da gestação não planejada”, completou.
A técnica de área da saúde da mulher, Lindalva Silva reforçou a importância do planejamento reprodutivo como estratégia de cuidado integral. “O planejamento reprodutivo é o início de tudo. Planejar a gestação traz mais segurança tanto para a mãe quanto para o bebê”, afirmou.
No município, a chegada do projeto foi recebida com entusiasmo pela gestão local. A secretária municipal de Saúde de São Bento, Kaline Damaceno, destacou a relevância da iniciativa para a população. “É um motivo de muita alegria receber a equipe da SES-TO, do Cepomfi e da área técnica de saúde da mulher. Por muito tempo nossa população solicitava a inserção do DIU e não tínhamos acesso. Agora, com a capacitação dos nossos médicos, teremos continuidade no atendimento e isso vai beneficiar diretamente nossas mulheres”, pontuou.
Entre as beneficiadas está a moradora Aléia Lopes Paulina, de 29 anos, mãe de seis filhos, que participou da ação no município. “Hoje estamos tendo essa oportunidade de colocar o DIU para quem precisa. Antes não tinha esse método aqui e muitas adolescentes acabavam engravidando. Agora ficou mais fácil para quem não quer ter mais filhos. Sou muito grata por essa oportunidade”, relatou.
Sobre o DIU
O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo de alta eficácia, com índice superior a 99%, sendo comparável à laqueadura e mais eficaz que a pílula anticoncepcional. Pode ser utilizado em qualquer fase da vida reprodutiva, inclusive por mulheres que ainda não tiveram filhos, desde que não haja suspeita de gravidez.
Entre as principais vantagens estão a longa duração, que pode chegar a até 10 anos, e a ação localizada. O método não é hormonal, não depende do uso contínuo pela paciente e não sofre interferência de outros medicamentos. Além disso, não é abortivo e não está associado à infertilidade ou a doenças inflamatórias pélvicas.
O DIU atua principalmente por meio da liberação de íons de cobre no útero, provocando alterações que impedem a movimentação dos espermatozoides e dificultam a fecundação. Caso a mulher deseje engravidar, o dispositivo pode ser retirado a qualquer momento, permitindo o retorno imediato da fertilidade.






