Nos bastidores do Tocantins, a crise envolvendo as indenizações de servidores estaduais abriu uma nova frente de desgaste entre o Palácio Araguaia e a Assembleia Legislativa do Tocantins. Nesta sexta-feira (8), o governador Wanderlei Barbosa reuniu representantes de seis categorias do funcionalismo para tentar conter a insatisfação após a decisão da Aleto que impediu o avanço da Medida Provisória nº 21, construída pelo Executivo como alternativa para destravar o pagamento das indenizações negociadas com os servidores.
A medida segundo o Governo, impacta diretamente categorias ligadas à Universidade Estadual do Tocantins, Instituto Natureza do Tocantins, Programa de Proteção e Defesa do Consumidor, Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins e PronTO. Nos corredores políticos, a avaliação é de que o episódio expôs um ruído institucional relevante justamente em um momento em que o governo tentava consolidar uma agenda de recomposição interna com categorias estratégicas do serviço público. A proposta original do Executivo previa indenizações de R$ 1 mil, mas mudanças feitas durante a tramitação elevaram o valor para R$ 1,5 mil, provocando veto do governo sob argumento de insegurança jurídica e impacto orçamentário.
Após semanas de negociação, o Palácio Araguaia disse que costurou um novo entendimento com os sindicatos e apresentou uma proposta intermediária de R$ 1,2 mil, considerada consensual entre governo e representantes das categorias. A recusa ao prosseguimento da medida, no entanto, foi interpretada por setores do funcionalismo como um freio inesperado em uma construção política que já parecia encaminhada. Integrantes das categorias afirmam que houve articulação prévia junto à Assembleia em defesa do acordo, mas o entendimento acabou não prosperando.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio deve ampliar a pressão sobre deputados estaduais nas próximas semanas, principalmente diante da mobilização crescente dos servidores afetados. O governo tenta agora evitar que o impasse se transforme em crise política mais ampla dentro da própria base aliada, enquanto categorias prometem manter articulações para retomar a discussão na Aleto.





