O gerente da fazenda Santa Tereza negou qualquer envolvimento com o incêndio que atingiu um acampamento do Movimento Sem Terra (MST) dentro da propriedade, em Marabá, no sudeste do Pará. Uma perícia solicitada pela Polícia Civil para descobrir as causas do incêndio foi realizada na terça-feira (18) no local. O resultado deve ser divulgado em dez dias, prazo que pode ser prorrogado.
Um grupo do MST denuncia ataques sofridos no último final de semana na fazenda Santa Tereza, na zona rural de Marabá. Segundo os integrantes do acampamento Hugo Chavez, o acampamento foi incendiado na noite do último sábado (15).
“Isso é mentira, conversa deles. Pra quê nós vamos fazer isso? Perder a razão? Isso é uma coisa que toda vida eles falam para prejudicar a fazenda”, afirmou o gerente da Santa Tereza, Oswaldo Parente.
Uma equipe da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) de Marabá, chefiada pelo delegado Alexandre Nascimento, esteve no local ainda no domingo (16) e depois acompanhando a equipe do Instituto Renato Chaves. Os peritos fotografaram a área que foi queimada nas proximidades do acampamento do MST.
“A perícia tem capacidade de precisar pra gente como se deu esse incêndio aqui nesse local, se realmente foi um incêndio intencional ou se ele foi acidental”, disse o delegado.
O estrago deixado pelo fogo pode ser visto em muitos pontos do acampamento. Além da pastagem, as plantações dos sem terra foram destruídas. Eles cultivavam arroz, milho, feijão e outros legumes. Antes da colheita, tudo foi queimado e o que restou não pôde ser aproveitado.
“Foi milho, fava, abóbora, mandioca. A gente fica muito triste”, conta a agricultora Maria Izamar Silva sobre o que foi perdido com o incêndio.
Segundo os agricultores, não deu tempo de salvar nem o que já tinha sido colhido e estava armazenado. “Não dá pra aproveitar nada. Um prejuízo grande para as famílias que tem nesse acampamento”, lamenta o agricultor Francisco de Assis.
Disputa por terras
A fazenda Santa Tereza está ocupada há 3 anos por cerca de 300 famílias. Mas, o processo de desapropriação da área foi analisado no final de 2016, depois que um levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluiu que a fazenda é produtiva.
“Foram feitos entendimentos, procedeu-se a avaliação e no momento em que foi dado o preço para aquisição, os proprietários não concordaram. Ficou impossibilitado de fazer qualquer outra coisa porque já que eles não querem vender, nós não podemos desapropriar porque a terra é produtiva e documentada”, explica Asdrubal Bentes, representante do Incra.




