A Norte Energia, empresa responsável pela construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em Vitória do Xingu, sudoeste do Pará, entrou na tarde desta segunda-feira (6) com um pedido de reintegração de posse na Justiça Federal de Altamira. Desde a última quinta-feira (2), cerca de 150 índios de diversas etnias ocupam o sítio Belo Monte.
Na ação, a Norte solicita novamente a desocupação do local. Em nota, a empresa alegou ter “fornecido todos os detalhes necessários para a tomada da decisão judicial”, e disse que está “atuando para manter a integridade física de todos os presentes no local”.
Este é o segundo pedido de reintegração de posse feito pela Norte Energia. O primeiro, protocolado na sexta-feira (3), foi negado pela Justiça. Segundo a empresa, a pauta de reinvindicação dos índios, que criticam a presença de tropas federais na região, não tem exigências diretamente relacionadas às atividades da Norte Energia.
Procurados pela reportagem, os índios disseram que devem permanecer no local até serem atendidos por um representante do Governo Federal. “Não existe possibilidade de desocupação enquanto não houver a presença de um representante de Brasília, do Governo Federal. Nós só vamos entregar a carta (de reivindicações) pessoalmente, e esperar que o Governo venha”, disse Valdemir Munduruku.
Entenda o caso
Cerca de 150 manifestantes, entre ribeirinhos e índios de diversas etnias invadiram na manhã da última quinta-feira (2) o sítio Belo Monte, em Vitória do Xingu, sudoeste do Pará. Os indígenas chegaram em quatro ônibus, armados com flechas bordunas, uma arma indígena semelhante a uma clava. Uma parte dos manifestantes entrou no canteiro de obras, enquanto o restante ficou na entrada do local impedindo a entrada e saída de pessoas.
Os índios criticam a presença de tropas federais na região, que estariam dando suporte de segurança para estudos de impacto ambiental voltando para projetos de desenvolvimento sem que as tribos fossem consultadas.
A Norte Energia entrou com o primeiro pedido de reintegração de posse na última sexta-feira (3), mas a liminar foi negada pela Justiça de Altamira. No domingo (5), a empresa anunciou que entraria com novo pedido nesta segunda (6).
Segundo a Polícia Federal em Belém, policiais irão investigar a participação de ribeirinhos e não índios entre os manifestantes.




