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sábado, janeiro 31, 2026
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Feira Pan-Amazônica traz Ignácio de Loyola a Belém e Marabá

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O escritor Ignácio de Loyola, que acaba de lançar o livro “Solidão no Fundo da Agulha”, chega a Belém para a abertura da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, no dia 26 de abril. Da capital, ele segue para o município de Marabá, no sudeste do Estado, para participar da programação da Pan-Amazônica nos Municípios, dia 29. O projeto, que tem como objetivo movimentar a cena literária por meio do intercâmbio entre escritores locais, regionais e nacionais, entusiasmou o autor paulista, que vem participando de ações que visam descentralizar o mercado literário no país e derrubar as barreiras que distanciam os escritores pelo Brasil.

“Este é um grande problema que temos no país, existe ainda uma barreira muito grande entre nós. Temos que diminuir estas distâncias e derrubar estes muros. Espero poder discutir isso em Belém e Marabá. Do Pará eu conheço alguns nomes, como o Benedito Nunes, que é reconhecido nacionalmente; o Dalcídio Jurandir, o Vicente Cecim…, mas acabo conhecendo mesmo os autores durante a programação da Feira. Aí então é que eu vou saber da existência e do trabalho de outros tantos aí”, comenta.

Ignácio de Loyola Brandão já veio a Belém em seis ocasiões e esta será a terceira vez que ele participa da Feira Pan-Amazônica do Livro. Deve trazer na bagagem alguns exemplares do novo livro, lançado pela Fundação Carlos Chagas, com a chancela do projeto Livro Para Todos, que convida sempre um autor brasileiro como padrinho. O projeto tem objetivo de democratizar, de forma sistemática, a luta de profissionais – professores, bibliotecários, educadores – de forma geral a incentivar o hábito de leitura. Todos os anos um escritor é convidado a ser padrinho desta iniciativa. Em 2012 convidamos o Ignácio e ele aceitou o convite. Este ano o convidado é Miton Hantoun. “É muito importante esta iniciativa da Fundação Carlos Chagas, pois o livro ainda é muito caro, e boa parte da população tem acesso limitado à prática da leitura”, acredita Loyola Brandão.

A nova obra do escritor surgiu de uma conversa com uma amiga na Fundação Carlos Chagas. Em uma rádio tocava um bolero antigo. Ignácio conta que se lembrou diante do clube Araraquarense, aos 20 anos, no final de uma domingueira. A amiga então lhe disse “Você tem muito episódio da vida ligado a músicas? Por que não escreve um livro?”. A sugestão se tornou um desafio, que foi vencido.

Com fotografias de Paulo Melo Jr., o livro inclui um CD com 11 canções de compositores como Caetano Veloso e Dolores Duran (interpretadas por Rita Gullo – filha do escritor) e que constam nas crônicas que saíram de suas memórias de infância, adolescência, juventude, maturidade. “Cuba, Roma, Paris, São Paulo, Araraquara…, tudo me passou pela cabeça”, disse o autor durante o lançamento do livro, ocorrido em março, em São Paulo.

O livro acaba de ser lançado também em Curitiba e Joinville. Loyola, com a agenda intensa, ainda fará algumas intervenções em São Paulo, antes de vir a Belém. Para ele, o perfil do novo escritor brasileiro mudou um velho conceito de que para escrever era preciso se refugiar, se isolar. “O novo escritor brasileiro é itinerante, acabou aquilo de se isolar como se o mundo não interessasse. Estamos andando pelo país. Hoje o escritor está no mundo”, ressalta.

Partindo deste princípio, ele agora está organizando uma série de crônicas feitas escritas durante suas viagens a diversas cidades brasileiras, 46 até agora, e publicadas pelo Estado de São Paulo, que vão resultar em mais um livro “O Mal de Ocara”. “Tem uma crônica, a que deu o nome ao livro, que fiz quando fui participar da Bienal do Livro de Fortaleza, no ano passado. Chama-se ‘O mal de Ocara’, cidadezinha de 20 mil habitantes localizada no interior do Ceará, e que recebe, pela primeira vez, a visita de um escritor”, relembra ele, que se disse muito emocionado com o que aconteceu ali naquele lugar. O livro deve sair no segundo semestre.

No ano que vem teremos mais uma obra do mestre. “Vou conseguir lançar, depois de anos, um livro sobre meu avô, que era marceneiro, um grande marceneiro que conseguiu construir, no início do século passado, um carrocel e com ele percorreu várias cidades do interior paulista. O livro vai se chamar ‘Os olhos cegos dos cavalos loucos’ e esta história eu vou contar aí em Belém, pois já finalizei a primeira versão, então dá pra contar”, finalizou.

Ignácio de Loyola Brandão é contista, romancista e jornalista brasileiro, paulista de Araraquara (SP). Nascido em 31 de julho de 1936, aos 16 anos começou a trabalhar como jornalista no Correio Popular (Araraquara), profissão que ainda exerce e que influenciou diretamente sua ficção. Já recebeu o Prêmio Jabuti (2008) pela obra “O Menino que vendia palavras” e entre os romances escritos destacam-se ‘Bebel que a Cidade Comeu’ (1968), ‘Zero’ (1975), ‘Não Verás País Nenhum’ (1981), ‘A Altura e a Largura do Nada’ (2006), ‘O segredo da nuvem’ (2006), ‘Fleming, descobridor da penicilina’ (1973), ‘Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus’ (1974) e ‘Ruth Cardoso – Fragmentos de uma Vida’ (2010).

XVII Pan Amazônica do Livro

O evento vai reunir mais de 200 estandes e uma programação com debates, seminários, show e espetáculos de teatro voltados à leitura. É o maior encontro literário da Região Norte, reunindo escritores locais, nacionais e internacionais. A produção literária paraense estará em foco trazendo à luz obras de autores consagrados como Dalcídio Jurandir e Bruno de Menezes, e também contemporâneos, como Daniel Leite e Harley Dolzane. Entre os escritores nacionais já confirmados estão Affonso Romano de Sant’Anna (MG), José Castello (RJ), Cristovão Tezza (SC), Guilherme Fiúza (RJ), Tiago Santana (CE), Merval Pereira (RJ) e Tony Bellotto (SP).

Nos próximos dias o site oficial do evento entrará no ar, trazendo a programação completa. A Feira Pan-Amazônica do Livro é uma realização do Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Secretaria de Promoção. (Elza Lima)

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