O dia 27 de março foi instituído nacionalmente como Dia da Inclusão Digital e o Estado do Pará, em particular, tem muito o que comemorar nesta data. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), dos 2.653 Pontos de Inclusão Digital (PIDs) da região Norte, 1065 estão em território paraense. E o Navegapará, programa do governo paraense, implantado de forma conjunta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Empresa de Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), tem contribuído bastante para que o Estado ocupe o primeiro lugar no ranking da inclusão digital no Norte do Brasil. O estado do Amazonas está em segundo lugar, com 673 PIDs, seguido do Tocantins, com 315 PIDs.
A inclusão digital não é apenas o processo de democratização do acesso às tecnologias da informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. Ele implica em também simplificar a rotina diária e otimizar o tempo dos usuários desse universo. Uma pessoa incluída digitalmente não é aquela que apenas utiliza a nova linguagem do mundo digital, mas que usufrui desse suporte para melhorar as suas condições de vida.
O programa Navegapará está integrando o Estado por meio de acesso livre em lugares públicos, infocentros e atendimento à rede governamental no Estado. Atualmente, o Navegapará está presente em 60 municípios paraenses, com 96 pontos de acesso livre e 188 infocentros. São beneficiados pelo programa órgãos do governo, escolas, delegacias, hospitais, além de prefeituras e entidades do terceiro setor. O Navegará é referência em projeto de infraestrutura e inclusão digital, servindo inclusive como modelo técnico para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e para outros estados.
Os infocentros disponibilizam à população serviços considerados essenciais, como o acesso gratuito à internet, a capacitação básica em informática, utilizando comunicação e serviços software livre e cursos de informática avançada, além de oficinas de diversos conteúdos, visando difundir a cultura, a comunicação, e a informação das regiões onde o programa se faz presente.
No infocentro que funciona no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais em Nova Timboteua, nordeste do estado, a parceria com a Associação dos Apicultores e Apicultoras do município e com a Associação de Pequenos Produtores Rurais tem viabilizado a realização dos cursos. “Nós abrimos duas turmas de Informática Básica, com dez alunos cada, uma de manhã e outra pela tarde. Serão, no total, 40 horas de curso. Estamos fazendo um teste, e se der certo, depois vamos abrir novas turmas”, conta Valdeci Sodré da Silva, monitor do infocentro.
Para ele, que começou como monitor voluntário no infocentro de Santa Izabel, o trabalho é compensador. “Eu gosto muito do meu trabalho aqui, eu sou o monitor voluntário mais atuante, eu resolvo as coisas no infocentro, sempre tô entrando em contato com o pessoal da Prodepa, me integrei de verdade. Tem mais ou menos três anos que eu me dedico a isso, é um trabalho que eu sinto prazer em fazer. É bom poder estar sempre ajudando alguém, crianças e até mesmo adultos que vem aqui, precisando se atualizar para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho”, declara.
O Governo do Estado também tem atuado para levar o Navegapará às áreas ainda não atendidas e já está buscando novos recursos e parceiros. A ideia é estabelecer convênios com entidades e prefeituras municipais, de modo que elas possam investir na sustentabilidade financeira dos infocentros e, em contrapartida, ter acesso à internet de alta velocidade e a baixo custo. “A sustentabilidade do programa é um grande desafio. O projeto tem que se expandir, primeiro com qualidade, e também com sustentabilidade, buscando parcerias, tentando reduzir os custos, pra tentar chegar em mais cidades, em menor tempo, com menor custo possível, esse o objetivo geral do projeto”, declara Leila Daher, diretora de Projetos Especias da Prodepa.
Entres os serviços potencializados pelo uso do Navegapará estão Telemedicina, teleducação, e comunicação intermunicipal. A utilização da tecnologia da informação ajuda a diminuir as distâncias e as dificuldades de deslocamento entre municípios na hora do atendimento. No caso da saúde, temos o exemplo do Telessaúde. “Essa é uma ferramenta que permite um apoio ao diagnóstico, a formação de equipes através de cursos e palestras. Isto é muito bom para um Estado como o nosso, que possui dimensões continentais. E utilizar Tecnologia da Informação para chegar aos municípios indica que estamos dando um passo muito grande”, afirma Theo Pires, presidente da Prodepa
Além da expansão do Navegapará, a Prodepa fez um trabalho de revisão da infraestrutura das Redes de Belém, Marabá e Santarém. Trabalho esse que já vem dando resultado. “A equipe do Navegapará e de suporte técnico fez um retorno, avaliando todos os sites, consertando, colocando no-break, para que fique o mínimo de tempo possível fora doa ar. Além disso, estamos reformulando a rede de Marabá e Santarém e devemos inaugurar novos pontos de serviço nessas duas cidades, que têm uma demanda muito grande”, afirma Leila.
A limitação da banda dos hotzones também melhorou o serviço para o usuário. Os ponto de acesso livre eram abertos e algumas pessoas entravam para baixar filmes, o que congestionava a banda e aí ninguém mais trabalhava. Agora a banda foi limitada, distribuindo melhor o sinal, de forma mais adequada, equilibrando o acesso e diminuindo o número de reclamações. (Natia Ney)




