Mais de cinquenta famílias que moram em áreas mais baixas na cidade de Marabá foram atingidas pela chuva torrencial que caiu na cidade na noite do último domingo, 24. A Coordenação Municipal de Defesa Civil (COMDEC) removeu essas famílias para os abrigos temporários da Prefeitura, localizados ao lado do Ginásio “Renato Veloso”, na Folha 16; e na antiga Feira Coberta da entrada da Marabá Pioneira.
Nesta segunda-feira, 25, pela manhã, a régua fluviométrica do Rio Tocantins indicava que o nível das águas estava a 10,50 metros acima do normal, medida que se manteve até o final da tarde. A forte chuva atingiu principalmente moradores das Ruas São Pedro, Pará e Bartolomeu Igreja, localizadas na Marabá Pioneira; e Folhas 20, 22, 29 e 33, na Nova Marabá, além de áreas baixas dos bairros Liberdade, Nossa Senhora Aparecida e Km 7, entre outros.
As famílias prejudicadas pela enxurrada relataram inúmeros prejuízos, estes de ordem material e moral. Como sempre, as mais prejudicadas são as que moram às margens da Grota Criminosa, na Nova Marabá, que corta várias folhas e nas áreas mais baixas dos Bairros Santa Rosa e Francisco Coelho, ambos na Marabá Pioneira.
Prejuízos
Moradora da Folha 22, Quadra 20, Ingrid de Moraes Guimarães Cardoso perdeu vários móveis com a forte chuva, como cama de casal, guarda-louça, guarda-roupa e outros. Ela foi surpreendida pelo temporal, pois mora há pouco tempo na casa e não sabia que alagava. “O poder público deve ter mais atenção e realizar uma limpeza melhor na grota para escoar a água”, disse Ingrid.
Maria Raimunda Cardoso dos Santos, 55 anos, que mora na Folha 22, contabilizou muitos prejuízos após a tempestade do final de semana. “Meus colchões molharam todos, terei de jogar tudo fora porque não prestam mais, tive muito prejuízo, minha geladeira também não serve mais para nada”, contou a mulher, explicando que a culpa não é somente do poder público, como também da população que joga lixo no córrego.
Valcilei Paulino dos Santos mora na Avenida Pará, Marabá Pioneira. Lá na casa dele a água “está dando no meio da canela”. Ele diz que perdeu apenas um guarda-roupa. “Ainda vou fazer outro barraco para poder ficar, estou colocando as coisas na casa de um parente”, afirmou Valcilei.
A casa de Luzirelene dos Santos Carvalho, na Folha 20, também alagou toda. Ela mais seis filhos e dez netos ficaram aperreados diante da embaraçosa situação. “Não perdi muita coisa porque pendurei, estou ‘quebrada’ só de lavar a casa, encheu mesmo por duas vezes”.
A jovem Danielle dos Reis, que mora na Folha 21, contou que no momento em que a água invadiu sua casa muitos móveis foram atingidos. “O berço da minha filha desmontou todo, minha cama molhou também. A situação estava difícil, ganhei bebê prematuro, não hora da agonia, não sabia se olhava minha filha ou puxava a água. Nunca havia passado por uma situação dessa”, lamentou Danielle.
Raimundo Dias, de 61 anos, mora há 13 anos na Rua Goiânia, Bairro Belo Horizonte. Ele disse que sua residência ficou submersa e por isso perdeu guarda-roupas, geladeira, colchão e passou a noite tirando água de dentro de casa. “É a primeira vez que acontece isso. Um prejuízo enorme. Estou com medo de vir mais chuva e não saber o que fazer”, disse Raimundo Dias.
Defesa Civil
Segundo o titular da Comdec, Márcio Costa, desde domingo a Defesa Civil está fazendo a mudança das famílias atingidas pela cheia.
“O pessoal foi levado para os dois abrigos, Feira Coberta e Ginásio da Folha 16. Estamos com uma logística de sete caminhões, mais um doado pela Colônia de Pescadores Z-30 e 30 homens para fazer o transporte do pessoal. Já comunicamos às secretarias de Assistência Social e da Saúde está sendo acionada. vamos solicitar apoio do Corpo de Bombeiros e do Exército”, resumiu Márcio.
A respeito da doação de cesta-básicas, assistência médica e outros benefícios aos desabrigados, Márcio Costa informou que o cadastro vai ser feito a partir do momento que as pessoas estiverem alojadas nos abrigos e, posteriormente, prestada toda assistência necessária para as famílias.
CIOP
Durante a tempestade, o Ciop (Centro Integrado de Operações Policiais) recebeu diversas chamadas para socorrer às famílias. O militar que estava de plantão no domingo no quartel do 5º GBM (Grupamento Bombeiro Militar), subtenente Joel Brazão Dias, relatou que os bairros que mais sofreram com as enxurradas foram: Nossa Senhora Aparecida (Coca-Cola), Avenida Pará e Folha 20.
“Houve uma precipitação muito grande de água devido à chuva forte. A tendência é alagar. O fato que nos chamou mais atenção foi uma senhora que pediu para ser conduzida da Folha 20 para o Bairro da Coca-Cola”, afirmou Brazão. (Correio Tocantins)




