Começou nesta segunda-feira (17), no auditório da Escola Superior da Amazônia (Esamaz), o 1º Encontro Paraense de Saúde da Criança, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA), por meio da Coordenação Estadual de Saúde da Criança, com apoio da Fundação Santa Casa de Misericórdia, Pro Paz, Sociedade Paraense de Pediatria, Bombeiros da Vida, Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Associação Amigos da Amamentação (AMAMEN).
Simultaneamente, também ocorrem o I Encontro dos Coordenadores de Saúde da Criança da Região Norte e o I Encontro Estadual de Banco de Leite Humano. Segundo a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Ana Cristina Guzzo, o evento reúne profissionais de saúde, acadêmicos da área e representantes da sociedade civil, com o objetivo de “discutir a saúde da criança da região Norte e suas particularidades”.
A solenidade de abertura foi presidida pela secretária adjunta da SESPA, Heloísa Guimarães, que compôs a mesa juntamente com a coordenadora do Pró Paz, Izabela Jatene; o representante da OPAS, Oscar Suriel; o consultor técnico internacional Yehuda Benguigui; a representante da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Tatiana Coimbra, além de representantes das demais entidades parceiras.
Heloísa Guimarães disse que o Pará está no caminho certo, ao ter Belém como a capital do aleitamento materno. Ela propôs que sejam implantados bancos de leite humano integrados aos novos serviços de UTI e UCI neonatais que serão implantados no Pará.
Na oportunidade, a secretária adjunta informou que o deputado estadual Márcio Miranda acatou a proposta da presidente da Fundação Santa Casa, Eunice Begot, e apresentou um projeto de lei para criar a Semana Estadual de Doação de Leite Materno, a ser comemorada na semana do dia 19 de maio, com o objetivo de sensibilizar a população, resgatar a cultura da amamentação, aumentar a captação do leite materno em 20% e diminuir ainda mais o índice de mortalidade infantil.
Heloísa também comentou sobre o projeto de lei da vereadora Milene Lauande, que assegura às mães que estão amamentando o direito de amamentarem seus filhos durante provas de concurso público. Ela ressaltou ainda a importância da integração do trabalho e afirmou que “cada um de nós é responsável por multiplicar as ações”. Por fim, anunciou que a partir de 2013, será iniciada vacinação contra HPV em vítimas da prostituição infantil.
Esforços
Izabela Jatene defendeu a integração das instituições em prol do aleitamento materno e comemorou o fato de Belém continuar com o título de capital brasileira da amamentação, mas disse que “devemos trabalhar para que isso não fique restrito à capital, e que o Pará seja o que mais amamenta no Brasil”. Ela informou que os voluntários do Pro Paz já foram capacitados para trabalhar com aleitamento materno e espera que a rede cresça cada vez mais, para que o Pará “seja o Estado que mais correu atrás e conseguiu fazer com que o leite materno corra no sangue das crianças”.
O consultor internacional Yehuda Benguigui falou sobre a preocupação com o cenário internacional, primeiro com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo item número 4 se refere aos indicadores na área de saúde da criança, ou seja, mortalidades neonatal, infantil e mortalidade de menores de 5 anos. O alerta é válido, disse ele, porque os organismos que monitoram esses índices não estão interessados na média, mas sim na realidade de cada local.
“Seria preciso haver um mapeamento profundo para mostrar que não há grandes desigualdades entre os lugares, e isso implica na implementação de uma série de estratégias, como a própria estratégia do Aidpi, para que os índices propostos possam ser alcançados até 2015”, alertou o consultor, lembrando que a estratégia nasceu para trazer um impacto, embora em alguns locais tenha havido interrupção, principalmente na ponta, onde são ofertados os serviços.
Mortalidade infantil cai, mas ainda preocupa
Segundo o site ODM Brasil, a taxa de mortalidade infantil (em menores de 1 ano) por mil nascidos vivos passou de 29,7, em 2000, pra 15,6, em 2010. Essa taxa é menor que a meta prevista para 2015, de 15,7 por mil nascidos vivos. A queda mais acentuada ocorreu na região Norte (-58,6%), que ainda apresenta a taxa mais elevada do Brasil: 18,5 por mil nascidos vivos.
A taxa de mortalidade das crianças abaixo de 5 anos apresentou queda de 65% entre 1990 e 2010. O número de óbitos por mil nascidos vivos passou de 53,7 para 19 óbitos. Os indicadores demonstram que tanto as taxas de mortalidade de menores de 5 anos e menores de 1 ano apresentaram forte queda entre 1990 e 2010. A mortalidade infantil está concentrada nos primeiros meses de vida, no período neonatal precoce (0 a 6 dias) e neonatal tardio (7 a 27 dias).
Oscar Suriel, da Opas, elogiou a iniciativa do Pará em fazer um encontro que propicie a troca de experiências entre profissionais e instituições, principalmente com a finalidade de reduzir a mortalidade infantil e melhorar a atenção à mãe. O que chamou a atenção dele foi a participação do Corpo de Bombeiros no trabalho pelo fortalecimento do aleitamento materno, “um bom exemplo de integração”.
A programação prossegue até quarta-feira (19). Entre os temas abordados estão “A criança e a proteção social”, assunto da conferência de abertura; Rede Cegonha no Brasil e no Pará; Implantação do teste rápido na atenção básica para controle da transmissão vertical de HIV e Sífilis no Pará; Situação da atenção integral às doenças prevalentes na infância (Aidpi-Clínica) no Brasil e nas Américas; e Atenção ao Recém-nascido de risco.
No encontro dos coordenadores, muitos outros temas importantes serão abordados, como teste do pezinho, Política Estadual da Criança com Deficiência, atenção obstétrica e neonatal humanizada, atenção primária e a saúde da criança. (Roberta Vilanova)




