Quatro e meia da tarde ensolarada na sexta-feira (9), e Kenedi Ramos dos Santos, 35 anos, trabalhava, fazendo entregas em seu caminhão na Avenida 1º de Junho, Bairro Jardim União, no núcleo Cidade Nova. De repente, o tempo fechou para ele: dois malfazejos surgiram numa motocicleta Honda Bros azul e efetuaram vários tiros em Kenedi, que, sem chances de defesa, tombou morto numa poça de lama, em meio a um matagal que toma conta da via pública. Não houve testemunha sequer que pudesse identificar os pistoleiros ou a placa da moto. E imperou a lei do silêncio.
De acordo com o capitão Ibsen, cuja guarnição foi acionada para atender a ocorrência do assassinato, ninguém quis comentar – por realmente não saber ou para não se comprometer – as circunstâncias do homicídio. Ele informou que a famosa “dupla da moto” teria deixado o local em disparada, impossibilitando ser reconhecida. Por outro lado, de acordo com Ibsen, Kenedi, o alvo dos pistoleiros, era conhecido no submundo do crime e tinha a vida pregressa bastante badalada. Ele, entre outras acusações, já teria participado de assalto a banco e arrombamento de caixa eletrônico. “Já que tinha a vida conturbada nesse sentido [da criminalidade], pode ser que ele tenha sido vítima de acerto de contas ou queima de arquivo. A gente sabe que, no submundo do crime, o indivíduo conquista muita inimizade”, observou o oficial.
Processos
A ficha corrida de Kenedi no Tribunal de Justiça do Pará é extensa. Ele parou lá ao menos sete vezes, ou pelo menos tem seu nome citado em sete ocorrências, todas as quais na Comarca de Marabá. A primeira vez, foi em agosto de 2005, por porte ilegal de arma de fogo. Noutra situação, em 2009, acabou em fria com mais cinco pessoas, todo mundo acusado de assalto a banco na região, caso amplamente noticiado pela imprensa paraense. Em julho do ano passado, Kenedi teve de se entender com a Justiça por causa de entorpecentes.
Todo esse histórico de delinquências destoa do comportamento exemplar do cabo Arielson de Jesus Ramos, da Polícia Militar. Irmão de Kenedi, cabo Arielson esteve no local do crime e, muito abalado, disse à Reportagem que a vítima era o caçula de 17 irmãos. “Nunca interferi na vida dele porque o Kenedi era maior de idade”, informou o parente, dizendo que a vítima estava quieta estes tempos e respondendo a seus crimes em liberdade. “Mas não dá para esconder as coisas ruins que ele fez”, lamentou.
Ainda conforme o cabo, seu irmão ligou dias atrás e confidenciou que estava sendo seguindo por algumas pessoas. “Ele não me disse o motivo, e eu também não questionei por que. Sinceramente, desconheço a razão pela qual ele foi assassinato.” Na tentativa de se regenerar, Kenedi comprou um caminhão e estava fazendo frentes – inclusive, estava trabalhando no momento em que foi liquidado. De acordo com o cabo Arielson, seu irmão deixa órfãos dois filhos do primeiro casamento e, da segunda união, uma viúva grávida.
“Ele estava feliz, ultimamente, por conta da criança que ia nascer. Estava trabalhando honestamente; todos os meses, ia ao Fórum acertar sua situação com a Justiça; no entanto, a vida pregressa dele contribuiu para esse triste fim.”
Nove Tiros
Segundo informou o perito Waldiney Gurgel, do Centro de Perícias Científicas (CPC) “Renato Chaves”, no local do crime, aparentemente o corpo teria sido atingido por cinco ou seis disparos, mas cápsula alguma fora encontrada no cenário do assassinato. No Instituto Médico Legal (IML), após a necropsia, ficou constatado que Kenedi foi crivado de bala, tendo levado nove tiros ao todo – três na cabeça, quatro nas costas, um no braço direito e outro na costela direita. A Polícia Civil, por meio da Divisão de Homicídios, vai, agora, investigar no sentido de chegar à motivação e à autoria de mais este crime que acontece em Marabá protagonizado pela dupla da moto. (André Santos e Emilly Coelho – Correio Tocantins)




