A ocupação de uma área pública da União no Bico do Papagaio reacendeu o debate sobre a efetivação da reforma agrária na região do Bico do Papagaio. Famílias do acampamento Irmã Dorothy ocuparam, na madrugada desta terça-feira (14), o Loteamento Praia Chata 1ª Parte (Lote 15P), localizado em São Sebastião. A mobilização ocorre em um contexto simbólico, durante a jornada que marca os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, e busca pressionar o poder público a cumprir medidas já formalizadas.
O ponto central da reivindicação está em uma contradição administrativa: a área já possui portaria publicada autorizando a criação de assentamento, mas segue sem destinação efetiva às famílias. Com cerca de 986 hectares, o imóvel é considerado estratégico e está situado em uma região que abrange municípios como Augustinópolis, Sampaio e Buriti do Tocantins. Segundo os trabalhadores, a demora na implementação do assentamento tem deixado o território vulnerável à especulação e ampliado tensões no campo.
As famílias cobram do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária agilidade no processo de seleção e regularização, argumentando que a área já foi reconhecida oficialmente para fins de reforma agrária. A ocupação, segundo os organizadores, tem caráter de pressão institucional para que a medida saia do papel e se traduza em produção agrícola, geração de renda e segurança no campo. O episódio expõe um cenário recorrente na região, onde decisões administrativas demoram a se concretizar, alimentando conflitos e ampliando a disputa por terras públicas.






