A declaração feita nesta segunda-feira (23), em Palmas, pelo prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues (UB), reorganiza peças importantes no tabuleiro da disputa ao Senado em 2026. Em entrevista, Wagner foi direto ao reafirmar apoio à reeleição de Irajá Abreu (PSD) e de Eduardo Gomes (PL). A sinalização pública não é trivial: parte de um gestor que foi reconduzido ao cargo com mais de 78% dos votos em 2024 e que hoje detém forte capital político no segundo maior colégio eleitoral do Estado.
Nos bastidores, a fala tem efeito imediato. Ao fechar questão em torno de dois nomes já consolidados, Wagner dificulta a estratégia do deputado federal Carlos Gaguim (UB), que vinha tentando costurar apoios municipais estratégicos dentro de uma possível dobradinha com Eduardo Gomes. A partir do momento em que o prefeito de Araguaína se posiciona, o recado às lideranças locais é claro: o campo majoritário na cidade já tem direção definida.
A movimentação também expõe uma realidade do processo eleitoral que se aproxima: alianças estaduais passam, necessariamente, por prefeitos bem avaliados e por bases eleitorais robustas. Araguaína, pelo peso demográfico e simbólico, é peça-chave em qualquer equação majoritária. Quando um prefeito com alto índice de aprovação antecipa apoio, ele reduz a margem de negociação de outros atores que dependem de palanques fortes no interior.
O cenário agora exige leitura estratégica dos envolvidos. Para Irajá e Eduardo Gomes, o gesto consolida terreno em um dos principais polos eleitorais do Tocantins. Para Gaguim, o desafio passa a ser recompor espaços e encontrar municípios onde consiga estruturar uma narrativa competitiva. A disputa ao Senado começa a ganhar contornos mais claros — e, como sempre na política, quem define alianças primeiro tende a jogar com vantagem.




