
Reportagem exibida neste domingo, 29, pelo programa Fantástico, da TV Globo, revelou que os vazamentos de informações sigilosas que teriam beneficiado o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), partiram de dentro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com a matéria, os dados eram repassados a partir do gabinete de um ministro do STJ por meio de assessor.
O nome do assessor e a qual ministro ele era ligado não foram revelados.
A informação aprofunda os desdobramentos da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, 27, que levou à prisão preventiva do prefeito de Palmas, do advogado Antônio Ianowich Filho e do policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz. A ordem foi expedida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a decisão, os investigados são suspeitos de integrarem uma suposta organização criminosa especializada no acesso indevido a decisões sigilosas do STJ com o objetivo de favorecer interesses específicos. As ações estariam configuradas, em tese, como crime de embaraço à investigação policial, com agravante de envolvimento com organização criminosa.
Além das prisões, foram autorizadas medidas como busca e apreensão, proibição de contato entre os investigados, afastamento de funções públicas e restrição de saída do país. A revelação de que o vazamento partia de dentro de um dos tribunais superiores do país reforça a gravidade do caso e levanta questionamentos sobre o controle interno e a segurança das informações no Judiciário. O STJ ainda não se manifestou oficialmente sobre o envolvimento de assessores de gabinete.