Uma decisão judicial proferida nesta segunda-feira (23) determinou que os Poderes Executivo e Legislativo de Tocantinópolis implementem mecanismos concretos para garantir a rastreabilidade das emendas parlamentares municipais. A medida atende a uma ação civil pública que apontou omissão na criação de instrumentos de transparência exigidos por normas federais e estaduais, especialmente no que diz respeito à identificação de autores, beneficiários e destino final dos recursos.
A decisão estabelece que, em até 30 dias, os dois órgãos apresentem diagnóstico detalhado da situação atual e um cronograma para implantação das medidas de controle. No prazo máximo de 60 dias, o Legislativo deverá editar ato normativo identificando formalmente os responsáveis pelas emendas e seus beneficiários, enquanto o Executivo terá de implementar sistemas contábeis capazes de exportar dados em formatos abertos, como CSV ou JSON, permitindo fiscalização em tempo real pela sociedade.
A determinação também suspende a execução de novas emendas até que todas as exigências de transparência sejam integralmente cumpridas. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 150 mil para cada órgão, com destinação dos valores ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. O Tribunal de Contas do Estado foi notificado para acompanhar o caso.
O entendimento judicial reforça que publicidade e controle social não são facultativos, mas obrigações legais. Para a população, a decisão representa uma oportunidade concreta de acompanhar como o dinheiro público é proposto, aprovado e aplicado. Em um cenário nacional de cobrança por maior transparência, o caso pode servir de parâmetro para outros municípios que ainda não adequaram seus sistemas de controle às exigências legais.




