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sábado, janeiro 31, 2026
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Rebanho do TO não atende demanda de frigoríficos

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Mesmo com um total de 8.090.760 cabeças de bovídeos (bovinos e bubalinos), conforme dados de novembro de 2012 da Agência de Defesa Agropecuária (ADAPEC), o rebanho tocantinense não consegue atender a demanda atuação das 13 plantas frigoríficas presentes no Estado. A constatação vem dos órgãos que regulam a produção pecuária do Tocantins e também dos proprietários das plantas frigoríficas presentes no Estado, que estimam que dos 1,3 milhão de bois abatidos no Estado ao ano, cerca de 50% (650 mil cabeças) tem de vir de outros estados, principalmente Pará e Mato Grosso.

Para Oswaldo Stival, presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Carnes Bovinas, Aves, Peixes e Derivados do Estado do Tocantins (SINDICARNES), a baixa produção de gado no Tocantins gera uma série de entraves. “O principal deles é ter que trabalhar sempre abaixo da capacidade de produção, hoje, por exemplo, temos duas grandes plantas frigoríficas paradas”, afirma Stival.

O Tocantins conta atualmente com um total de 13 indústrias frigoríficas. Sete deles com o Selo de Inspeção Federal (SIF) e seis com o Selo de Inspeção Estadual (SIE). “As plantas frigoríficas com o SIF são as que podem vender tanto no Tocantins quanto para fora do Estado e também para outros países. As com o SIE podem vender somente dentro do Tocantins”, explica Stival.

Os problemas apontados pelo presidente do sindicato tem reflexo nos números gerais dos abates realizados pelas seis plantas com o SIE. Em 2011 foram abatidos nesses locais, um total de 130.500 animais, gerando mais de 22,3 mil kg de carne. Em 2012, houve uma redução de 8,44% no total abatido, quando 119.481 animais foram abatidos, resultando em um total de 20,4 mil kg, quase duas toneladas de carne bovina a menos disponível para consumo.

A vinda de um grande número animais vivos de outros estados para serem abatidos no Tocantins é apenas parte de uma série de problemas na cadeia produtiva da pecuária no Estado. “Hoje a saída de animais vivos, para um processo de engorda justamente no Pará e no Mato Grosso, traz consigo uma perda no valor agregado da produção aqui no Tocantins”, explica Ruiter Pádua, secretário executivo da Secretária da Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário (SEAGRO).

Pádua defende que uma saída para o problema pode ser promover uma mudança na política fiscal da cobrança do Imposto sobre a Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). “Hoje, Goiás, nosso vizinho, cobra 12% de ICMS para a venda do boi vivo para outros Estados. O Tocantins cobra só 3%. Temos que fazer uma conta se compensa manter essa maneira de lidar com nossa produção agropecuária”, diz Pádua.

Gargalos

O pecuarista Remilson Aires, que conta com um rebanho de 200 matrizes da raça Guzerá, mantém uma propriedade de 300 hectares próxima a Palmas, para a atividade de cria e venda de bezerros e novilhas. “Hoje o pecuarista prefere criar o gado e vender para fora, para um atravessador que engorda e revende para o frigorífico por dois motivos: pelo preço e pelas dificuldades para manter um pasto bom”, afirma Aires.

O valor da arroba na venda para o frigorífico não compensa, segundo Aires, o que tem levado muitos pecuaristas a abandonar a atividade. “A soja hoje avança nas áreas que antes eram destinados à pecuária. Até por conta do valor mesmo, a arroba tá valendo pouco mais de uma saca e meia de soja”, explica o produtor acrescentando que vale mais a pena arrendar a terra para um produtor de soja que criar gado. Conforme a cotação da SEAGRO na última semana, o preço da arroba do boi varia de R$ 86,00 a R$ 90,00, enquanto a saca de 60 quilos de soja custa entre R$ 50,00 e R$ 52,00.

“Outro ponto de dificuldade é encontrar ajuda, tanto das autoridades públicas, quanto da iniciativa privada para um trabalho de recuperação de pastagens”, afirma o pecuarista.

O problema da manutenção do pasto preocupa não só o pecuarista, todos os entrevistados desta reportagem foram unânimes em afirmar que o Tocantins precisa melhorar suas pastagens. “Hoje o pasto no Estado tem capacidade para nutrir um animal por hectare. Sendo que o aceitável hoje, para uma produtividade eficiente, é de ao menos dois animais por hectare”, defende o secretário executivo da SEAGRO, Ruiter Pádua. (Jornal do Tocantins)

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