Investigação criminal da Polícia Civil resultou na prisão de seis pessoas em Belém. Dois dos presos são policiais militares. Denominada operação “Rosa Vermelha”, a ação teve por finalidade apurar a doação irregular de veículos para instituições sem fins lucrativos, entre elas a Fundação Pestalozzi do Pará. Em um ano e meio de investigação, foram levantadas provas que indicavam a atuação de uma quadrilha especializada em desviar veículos do patrimônio do Estado para outras finalidades desde o ano de 2006.
Um dos presos, o empresário Nicanor Joaquim da Silva, é o principal investigado do esquema. Ele tinha a colaboração de servidores públicos para consumação do delito. Segundo as investigações, para que o esquema fosse consumado, foram cometidos atos ilegais, como a constituição de comissões sem observância à lei e de laudos de avaliação fraudulentos ou precários, e o controle ineficaz da existência física do veículo, que colaboraram para o desvio dos bens para fora do Pará.
Além do desvio dos veículos, há suspeitas da existência de fraude na regularização da documentação deles. Na região metropolitana, foram cumpridas seis prisões preventivas de pessoas apontadas por envolvimento no esquema, entre elas a coronel da PM Ruth Léa Costa Guimarães, diretora de Apoio Logístico da Polícia Militar.
Também foram presos o sargento PM Raimundo Nonato Sousa Lima, auxiliar do Centro de Suprimento e Manutenção da Polícia Militar; Rubervaldo da Silva Moreira, ex-diretor de Transporte das secretarias de Segurança Pública (Segup) e Saúde (Sespa); Márcia Miranda Gomes, esposa de Nicanor; e José Henrique Pereira, comparsa do líder da quadrilha no esquema.
No início de dezembro, policiais acompanharam a retirada de veículos do quartel da PM de Altamira, no sudoeste do Pará, e com a ajuda de rastreadores, conseguiram mapear o itinerário da carreta usada no transporte para identificar o destino final e, assim, chegar aos nomes de pessoas envolvidas no crime. Além das pessoas presas preventivamente, outras, dentre elas servidores públicos, serão ouvidas no decorrer das investigações para esclarecer o relacionamento que têm com os principais investigados.
Nicanor usava contas bancárias em nome da companheira para movimentar o volume de dinheiro apurado no esquema. Além das prisões, foram bloqueadas todas as contas correntes dos investigados. Eles foram autuados pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, peculato, estelionato e falsificação de documento público.




