Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) colocou sob suspeita uma pesquisa eleitoral da empresa Exata.GO Pesquisa LTDA registrada para as eleições de 2026 e abriu novo capítulo nos bastidores da disputa estadual. Em representação movida pelo PDT, a Corte determinou a suspensão imediata da divulgação do levantamento após identificar indícios consistentes de irregularidades metodológicas e inconsistências financeiras na execução do estudo .
O ponto central da controvérsia é a viabilidade prática da pesquisa. O levantamento previa 22.820 entrevistas presenciais em 54 municípios, realizadas em apenas seis dias, ao custo declarado de R$ 10 mil. Na análise preliminar, o relator considerou o valor incompatível com a logística necessária para deslocamentos intermunicipais, equipes de campo, alimentação e remuneração de entrevistadores. A decisão menciona ainda possíveis falhas na formulação do questionário, como a ausência de identificação partidária nas perguntas estimuladas, elemento considerado relevante em pesquisas eleitorais .
Nos bastidores políticos, a suspensão tem peso estratégico. Pesquisas eleitorais influenciam narrativas, moldam alianças e impactam a percepção do eleitorado, especialmente quando divulgadas em fase pré-eleitoral. A determinação judicial incluiu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento e proibiu novas divulgações até julgamento definitivo do mérito . A medida sinaliza que a Justiça Eleitoral deve adotar postura rigorosa diante de eventuais distorções que possam comprometer a lisura do processo.
O caso ainda será analisado de forma definitiva, mas já produz efeitos no cenário político. A decisão reforça a importância da transparência, da consistência metodológica e da responsabilidade na divulgação de dados eleitorais. Para partidos, pré-candidatos e eleitores, o episódio serve como alerta: em ano pré-eleitoral, cada número divulgado pode redefinir estratégias — e, quando questionado, pode também alterar o rumo do debate público.




