Parauapebas lançou o Plano Safra de Agricultura Familiar e o Plano Safra de Piscicultura, com o objetivo de criar uma alternativa econômica à extração mineral e melhorar as condições de vida do produtor rural, beneficiando mais de 2 mil famílias de produtores no município. O vice-governador Helenilson Pontes participou do lançamento dos dois planos, que têm no governo do Estado seu principal parceiro, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural ( Emater) e Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq). Na solenidade, realizada no sábado, 9, Helenilson Pontes firmou, com a Prefeitura de Parauapebas, um termo de cooperação técnica e fornecimento de insumos.
A meta, segundo o prefeito de Parauapebas, Walmir Mariano, é transformar o município em uma referência na agricultura e piscicultura. O primeiro passo para a implantação dos Planos foi a realização de um Censo Agropecuário Municipal, envolvendo cerca de 1.300 produtores rurais, a fim de identificar e implementar o potencial agropecuário da região. O censo revelou que Parauapebas tem 153,9 mil habitantes, e detém a maior província mineral do planeta, além de contar com uma situação fundiária bem definida, composta por mini e pequenas propriedades, assentamentos da reforma agrária e áreas de colonização. Dos 78.725 hectares de área de Parauapebas, 57 % são de pequenas propriedades, muitas ainda sem energia elétrica.
Os proprietários comercializam a produção nas feiras, e acabam obtendo uma renda insuficiente para manter a família. A falta de planejamento financeiro nas atividades desenvolvidas pelos agricultores familiares gera um endividamento significativo. “Por sermos um município novo, e formado basicamente por assentamentos, buscamos alternativas para sairmos da tutela da mineração, já que o minério é um recurso não renovável”, informou o prefeito Walmir Mariano.
Para fortalecer o setor, o Plano Safra prevê investimentos em mecanização agrícola e distribuição de insumos, assim como o fornecimento de maquinário, para que as famílias possam iniciar a produção.
Tanques
Quanto à piscicultura, a Emater orienta as famílias beneficiadas, e ajuda na construção de tanques para receber os alevinos, que darão início à atividade. Serão construídos 175 tanques, com capacidade para a criação de até 1.200 peixes cada um. Helenilson Pontes ressaltou que Paraupaebas está tendo uma oportunidade histórica de mudar sua base econômica, que é fundada na extração mineral, para uma atividade com base sustentável. “O governo do Pará ratifica o compromisso de que o desenvolvimento do Pará só será possível se tiver base sustentável”, frisou Helenilson Pontes.
Para o diretor geral da Adepará, Mário Moreira, a iniciativa da Prefeitura é um exemplo para os demais municípios brasileiros. “Parabenizo os produtores rurais do município, e digo que, para Estado, este é um grande exemplo, que pode ser levado para outros municípios paraenses”, ressaltou.
Marcelo Catalão, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paruapebas (Siproduz), explicou que uma das grandes características do homem do campo na região é a vontade de trabalhar e produzir. “Nós sabemos das dificuldades do Estado, mas também reconhecemos os esforços realizados e a presença do Estado nas regiões sul e sudeste. É importante investir na produção, em um momento em que podemos escoar pelas estradas recuperadas tudo aquilo que produzimos”, explicou.
O produtor Antenor dos Santos, 52 anos, é um dos beneficiados com o Plano Safra de Parauapebas. Ele, que possui 10 hectares, chegou ao município na década de 1970, e hoje cria gado e produz laticínios. Ele procurou a prefeitura e está recebendo toda a assistência técnica, apoio que já teve quando construiu um tanque para iniciar a produção. “ Eu já tenho a técnica e a água que desce da serra. Agora é produzir”, afirmou.




