Uma recomendação emitida pelo Ministério Público do Estado do Tocantins colocou as Câmaras Municipais de Tocantinópolis e Luzinópolis, no centro do debate sobre transparência e controle do uso de emendas parlamentares. O documento estabelece uma série de exigências para que os Legislativos de ambos os municípios regulamentem, de forma clara e objetiva, a destinação dos recursos públicos indicados por vereadores, alinhando a prática local a decisões recentes de órgãos de controle.
Entre os principais pontos, o Ministério Público cobra a criação de um ato normativo específico que detalhe todo o processo das emendas, desde a identificação nominal do parlamentar autor até a definição precisa do beneficiário final e do objeto financiado. A recomendação também impõe a apresentação prévia de planos de trabalho, com justificativa do interesse público, estimativa de custos e cronograma de execução, além de critérios objetivos para a priorização dos recursos, evitando decisões genéricas ou sem lastro técnico.
O texto avança ainda sobre a execução financeira, ao exigir contas bancárias exclusivas para cada emenda, rastreabilidade total dos valores e comunicação obrigatória ao Tribunal de Contas do Estado do Tocantins. Essas medidas seguem diretrizes da Instrução Normativa nº 3/2025 e reforçam o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal, especialmente no que trata da ADPF 854, que determinou maior transparência e controle sobre emendas parlamentares em todo o país.
O Ministério Público fixou como prazo final o dia 1º de janeiro de 2026 para que todas as adequações estejam concluídas, deixando claro que a execução das emendas no próximo exercício só poderá ocorrer após a implementação integral das regras de transparência. O órgão também alertou que o descumprimento, sem justificativa formal, pode resultar em responsabilização administrativa e judicial dos agentes públicos envolvidos, elevando o tema ao patamar de prioridade institucional e política no município.




