O Disque Denúncia corre o risco de encerrar suas atividades em Marabá. Com um orçamento mensal de R$ 110 mil, o serviço, que em um ano de implantação já conseguiu mandar quase 100 criminosos para trás das grades, tenta sobreviver hoje com R$ 74 mil de doações da Vale, Alpa, Sinobras e Leolar. A situação, porém, está chegando ao limite, pois a instituição já encontra dificuldades para manter as despesas com os salários de 16 atendentes que se revezam nas 24 horas do dia e para arcar com os demais encargos.
Em seu primeiro ano de atuação na cidade, o Disque Denúncia, pelo qual a população pode denunciar criminosos com total segurança garantida pelo anonimato, contabiliza ainda 6.200 ligações, 3.500 denúncias, 2.700 atendimentos e apreensão de 600 pedras de crak e de um quilo de cocaína, além da apreensão de R$ 5.495 empregados no crime.
Baseado nesses dados, que demonstram a confiança da população no serviço, o diretor nacional do Disque Denúncia, Edson Calil de Almeida, esteve em Marabá, para lançar um SOS em reunião com representantes dos órgãos de segurança pública da cidade, empresários e outras autoridades.
“Quanto melhor fica mais caro se torna, pois temos de pagar mais recompensas, mais premiações a policiais e pelo jornalismo investigativo. Isso é fundamental. Então, há essa necessidade dessa implementação, mas faltam recursos”, expôs ele.
Edson Calil lembrou ainda que durante um ano de atuação em Marabá o Disque Denuncia trabalhou muito e colaborou para que a polícia fizesse prisões e apreensões significativas. “A população comprou nosso projeto”, afirmou, lembrando também que o serviço tem, inclusive, em muitos casos, se antecipado ao crime, citando como exemplo o fato de ter salvado a vida do diretor de uma empresa de comunicação em Parauapebas.
“O vetor para ajudar no combate ao crime é a população. A melhor polícia do mundo chega em um minuto e meio depois da ocorrência. Mas nós temos de evitar os homicídios. Não somos especialistas em ressurreição. Temos de chegar antes, atentos às informações”, disse o diretor do Disque Denúncia, acrescentando que a sociedade está apoiando, contribuindo com a causa.
Igor Guedes, coordenador-regional do Disque Denúncia, reafirmou que o serviço em Marabá está com déficit financeiro: “Precisamos equilibrar pontos para poder pensar o planejamento de 2013”, alertou.
Resultados
Segundo o superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, delegado Alberto Teixeira de Barros, ao completar um ano de instalado na cidade, cerca de 80% das ligações dirigidas ao Disque Denúncia tiveram resultado positivo. “A Polícia Civil recebeu 60 pedidos de busca e apreensão e todos foram cumpridos. Ficar sem o Disque Denúncia seria um retrocesso para a sociedade civil. Isso não pode acontecer”, advertiu ele.
Para o tenente-coronel José Sebastião Monteiro Júnior, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, que afirmou estar preocupado com a possibilidade do Disque Denúncia fechar em Marabá. “Esse serviço é uma ferramenta que está auxiliando, e muito, no combate ao crime da região”.
“Temos vários casos de estupradores, homicidas e pedófilos que foram presos com auxílio da população e graças ao Disque Denúncia” disse ele, encorajando as pessoas a continuarem denunciando.
O prefeito eleito, João Salame Neto, comentou que toda população de Marabá é vítima da violência e por isso vive assombrada. Ele afirmou que Marabá não pode perder o Disque Denúncia. “Convidamos a sociedade civil organizada para que possa nos ajudar a manter vivo o Disque Denúncia”, conclamou.
Estiveram ainda na reunião representantes da Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Detran, DMTU, Vale, Banco do Brasil, Prorural e Associação Comercial e Industrial de Marabá. (Emilly Coelho – Correio Tocantins)




