Segurança, meio ambiente e tecnologia foram temas tratados pelo governador Simão Jatene com os consultores Nissim Moshe, representante da Área Civil, e Daniela Hanaque, da empresa israelense Elbit System, nesta terça-feira (15), no Comando da Polícia Militar. Da reunião participou o secretário especial de Estado de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, Sidney Rosa.
Na apresentação da empresa, o consultor Nissim Moshes expôs o interesse em transferir tecnologia da área militar para a sociedade civil, trazendo para o Pará sistemas de monitoramento e fiscalização envolvendo questões ambientais, segurança e formação de pessoal na área de tecnologia. “Nós pensamos em fazer parceria com a universidade para formação de profissionais, que se encarregariam mais tarde da manutenção do sistema”, adiantou Nissim Moshes, que ofereceu ao governo a implantação, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, do projeto “Bairro Seguro”, tendo o bairro do Reduto como piloto.
Simão Jatene pediu uma proposta da empresa que contemple a parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), envolvendo o Parque Tecnológico do Guamá. O governador ressaltou a importância da área de ciência e tecnologia não apenas para o Pará, mas para toda a Amazônia, em especial na questão da segurança ambiental.
Para Jatene, a prioridade da segurança pública não está restrita às metrópoles, mas a grandes projetos de desenvolvimento, como os existentes na Amazônia, nos setores mineral e energético. “Nessa perspectiva, a região é um grande mercado para qualquer empresa que atue nessa área”, ressaltou.
Interação
Ele fez uma exposição da atuação dos governos ao elegerem educação, saúde e segurança como eixos prioritários dos projetos de Estado. Segundo o governador, projetos do porte apresentado pela empresa israelense não podem ser feitos de forma segmentada, por isso essa discussão envolve uma interação de diversos setores do governo. “A questão da segurança no Pará tem me incomodado muito”, acrescentou Jatene.
O consultor da Elbit expôs o alcance do projeto quanto ao monitoramento das informações na questão da prevenção, e citou o exemplo do conflito na Faixa de Gaza (Oriente Médio), onde o monitoramento e a informação conseguiram evitar uma tragédia maior no ataque de mísseis feito por palestinos. “São realidades diferentes. Nós sabemos que segurança pública é um processo que não se faz do dia para a noite, mas nossa empresa tem muito interesse em se instalar na Amazônia”, assegurou Nissim Moshe.
O secretário Sidney Rosa marcará nova reunião com os representantes da Elbit, que terá a participação dos secretários de Estado Alex Fiuza de Mello, de Promoção Social, e Luiz Fernandes Rocha, de Segurança Pública e Defesa Social, para discutir uma proposta de implantação de um polo tecnológico da empresa no Pará, a ser apresentado ao governador ainda neste mês.
Tecnologia
A empresa israelense já atua no Brasil, por meio da AEL Sistemas, com sede em Porto Alegre (RS), onde desenvolve e produz soluções tecnológicas para as áreas de defesa, espaço, segurança e logística. O objetivo é chegar a outras regiões do país. A empresa manifestou interesse em atuar no Pará, a partir de algumas prioridades expostas pelo governo do Estado durante o encontro com o representante do Consulado da Missão Econômica de Israel, Roy Nir.
A AEL, que faz parte dos grupos Elbit Systems Ltda. e Embraer Defesa e Segurança, desde os anos 1980, é fornecedora de aviônicos (parte eletrônica de bordo) para as aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), entre elas o F-5M, AM-X, Super-Tucano e C-95 Bandeirante.
Recentemente, a empresa forneceu o sistema VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) Hermes 450, também à FAB, e a Estação de Armas para o novo blindado do Exército Brasileiro, o Guarani. (Ronald Junqueiro)




