A verticalização da soja no Maranhão ganha impulso com a instalação de mais duas empresas que desenvolvem produtos a partir da oleaginosa. A Notaro Alimentos instala em Balsas, no momento, um complexo avícola onde produzirá ração animal. E a Venko Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., que produz alimentos funcionais, fará a transferência de sua fábrica de São Paulo para o sul do estado. Os dois empreendimentos, atraídos principalmente pela disponibilidade da soja, somam investimentos de R$ 167 milhões e vão gerar aproximadamente 4.000 empregos, entre diretos e indiretos.
A construção do complexo avícola da Notaro Alimentos, empreendimento de R$ 146 milhões, em instalação na cidade de Balsas, passa a ganhar velocidade este ano. Foi o que disse o gerente geral da Notaro Alimentos, Valdemir Azevedo Pereira, durante visita do secretário de Estado do Desenvolvimenato, Indústria e Comércio, Mauricio Macedo, às obras do projeto. O empreendimento vai gerar em torno de 3.800 empregos, entre diretos e indiretos.
De acordo com o projeto, o complexo avícola será constituído de granja de matrizes, incubatório, fábrica de ração, produção de óleo e farelo de soja, granjas integrada e centro de distribuição. Quando concluído, a empresa prevê o abate de 150 mil aves por dia. A produção será destinada ao mercado regional e internacional, especialmente o Oriente Médio.
O gerente geral da empresa Valdemir Azevedo, informou que todos os equipamentos da granja de matrizes e do incubatório já foram comprados e 65% das obras do processo de armazenagem de grãos estão concluídas. A empresa também já concluiu as negociações para obter o empréstimo de R$ 27 milhões do Banco do Nordeste. “A partir de agora vamos dar mais velocidade à implantação do projeto. A meta é iniciar a operação até o final de 2014. O abate de aves está previsto para 2015”, disse Valdemir Pereira.
A disponibilidade e o preço da soja e do milho para a produção de ração no Sul do Maranhão atraíram a Notaro para o estado. “Este projeto atende a um anseio do produtor rural, pois vamos absorver parte da produção”, avalia Valdemir Pereira. O complexo avícola da Notaro em Pernambuco consome atualmente 2.200 toneladas de milho por semana.
Venko
Outro empreendimento também atraído pela disponibilidade da soja é a Venko. A empresa, que produz alimentos funcionais (sem glúten e lactose) partir do grão da soja, fará a transferência da sua fábrica de São Paulo para o Maranhão.
O investimento estimado é de R$ 21 milhões. O projeto prevê a produção de 330 toneladas por mês na primeira fase, com previsão de alcançar, num horizonte de 10 anos, até 15.400 toneladas/mês.
“A empresa já se decidiu pelo Maranhão. Estamos definindo no momento qual a melhor localização para instalar a fábrica”, disse o sócio e diretor, Luis Fernando Vieira, que esta semana visitou diversos municípios da região sul do estado, acompanhado do superintendente de Atração de Negócios da Sedinc, Ubiratan Silva. Entre as cidades em estudo para receber o empreendimento, está Balsas, onde também conversou com produtores locais e proferiu uma palestra durante a Agrobalsas 2013 sobre os alimentos funcionais.
Os alimentos funcionais a partir da soja, segundo o empresário, não são destinados apenas às pessoas que possuem intolerância à lactose e glúten, mas a todos que optam por alimentos saudáveis e ricos em proteínas.
A Notaro Alimentos e a Venko Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. vem reforçar a verticalização da soja iniciada pela Algar Agro, que em junho de 2012 inaugurou uma unidade de refino e envase de óleo de soja na cidade de Porto Franco (sul do estado). Um investimento da ordem de R$ 70 milhões com uma estimativa de produção de 5,5 milhões de caixa de óleo por ano. O empreendimento gera 350 empregos diretos e indiretos. A produção abastece os mercados do Norte e do Nordeste.
A disponibilidade de soja, somada aos incentivos do Governo do Estado e a logística de escoamento (composta de ferrovia e porto em São Luís) é um dos principais fatores que tem atraído estas empresas. O secretário Mauricio Macedo afirma que o governo está contribuindo para o processo de desenvolvimento da cadeia de grãos no Maranhão.
“O agronegócio é responsável por quase 20% do PIB do Maranhão e é uma área em expansão, tanto área de grãos quanto industrialização. Durante a Agrobalsas, na semana passada, visitei a obra de instalação do Notaro Alimentos, que está em franco andamento. É um empreendimento importante que vai gerar cerca de 1.500 empregos diretos. Estamos atraindo mais uma indústria, do segmento de alimentos funcionais e até agosto queremos entregar o distrito agroindustrial de Balsas para oferecer infraestrutura às empresas na cidade e ajudarmos neste processo de desenvolvimento”, observou o secretário Mauricio Macedo.
O Maranhão é o segundo maior produtor de soja da região Nordeste (só perde para a Bahia) e o 9º do país, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A safra 2012/2013 alcançou o volume de 1,68 milhão de toneladas da oleaginosa. A região sul do Maranhão responde por 95% da produção de soja no estado.




