Comunidades indígenas do Pará denunciam que os moradores de aldeias do sudeste do estado enfrentam problemas de saúde pela falta de médicos, remédios e saneamento. Na aldeia Gavião de Bom Jesus do Tocantins o cacique Bepebka disse que os índios não tem água para beber. “A preocupação minha é grande, eu quero água melhor para beber e para as crianças tomarem banho”, disse o índio.
Na última quinta-feira (7), os índios protestaram confiscando uma caminhonete da Secretaria de Saúde Indígena. Eles dizem que irão radicalizar até serem ouvidos pelo Ministério Público e pela Sesai. “Vamos partir para esse lado, está difícil para a gente”, reclama Krei Gavião.
A coordenação da secretaria, que fica em Marabá e responde por 14 aldeias da região, disse que irá realizar em agosto uma reunião com índios, representantes da secretaria e com a empresa dona dos veículos apreendidos pelos índios, que são alugados pela Sesai.
De acordo com Pakan Gavião, enquanto o problema não for resolvido os índios precisam improvisar e buscar ajuda em aldeias vizinhas, já que as duas únicas fontes de água da aldeia – um lago poluído e uma cisterna – não são próprias para o consumo. “Serve só pra gente tomar banho, lavar roupa. Para beber temos que pegar água em outra aldeia. A gente precisa pegar água todo dia e isto é cansativo para o meu povo”, desabafa Pakan.
Além das torneiras, os postos de saúde também estão vazios. Segundo a atendente do posto médico Roptykwyi Gavião, faltam remédios e a única opção é recorrer à sabedoria de pajés. “Nossos velhos sabem remédios da mata, e nós utilizamos. Mas remédio daqui, do posto, tem pouco, e isso é muito complicado”, critica a índia.(G1 PA).




