As centenas de horas de depoimentos de delação premiada dos executivos e ex-executivos da Odebrecht mostram um lado pouco conhecido dos pagamentos feitos para políticos, seja via doação oficial ou caixa 2: o mau negócio.
Muitas vezes, os delatores se mostram frustrados com pagamentos que não deram o retorno desejado, revela a editora da GloboNews Camila Tonin.
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), por exemplo, foi citada pelo ex-diretor da Odebrecht Ambiental Mário Amaro da Silveira.
Ele relatou um pedido de contribuição feito pelo marido de Kátia Abreu, Moisés Pinto Gomes, a pretexto de que a senadora era uma “parceira muito importante da Odebrecht”.
Ficou acertado, segundo o delator, um repasse de cerca de R$ 500 mil à senadora, por meio de caixa 2. O “problema”, disse Mário Amaro da Silveira, é que a atuação parlamentar de Kátia Abreu não agradou. “A senadora foi eleita, mas não fez nada por nós no Tocantins também, não”, reclamou.
Após o Supremo Tribunal Federal autorizar a abertura de inquérito para investigar Kátia Abreu, a senadora divulgou nota na qual informou não ter elementos para rebater as acusações por desconhecer a decisão de Fachin, mas afirmou que, em toda a vida pública dela, nunca participou de corrupção e nunca aceitou participar de “qualquer movimento de grupos fora da lei. (G1)




