A assessoria jurídica do Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM) começou a analisar a documentação dos 16 médicos cubanos e de um brasileiro formado na Espanha selecionados para atuar no Estado através do programa Mais Médicos, do governo federal. Conforme o presidente do CRM, Nemésio Tomasella, somente após esse procedimento serão concedidos os registros provisórios aos profissionais. O conselho prometeu fiscalizar também o exercício da profissão e as condições de trabalho desses profissionais, que irão atuar no interior do Estado.
“Nós, como órgão fiscalizador, vamos ver qual o médico que será supervisor e o seu tutor acadêmico. Como trabalho de rotina, vamos fiscalizar o exercício da profissão e as condições de trabalho que esses médicos estão tendo para dar atendimento à população” explicou Tomasella. Conforme o Jornal do Tocantins mostrou em reportagem especial no último mês de julho, a falta de estrutura de hospitais e atrasos nos salários são alguns dos problemas que afugentam os médicos do interior.
Treinamento Ontem, os profissionais que chegaram ao Tocantins, no último sábado, participaram de um encontro para conhecer a realidade da saúde no Estado. Durante a reunião eles conheceram dados epidemiológicos e doenças regionais. O treinamento segue até a próxima quinta-feira, com visitas a Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Capital. No sábado, eles devem seguir para os municípios onde irão atuar.
Inicialmente, estava previsto o envio de 16 cubanos e dois brasileiros formados no exterior ao Tocantins, mas um brasileiro ainda não foi apresentado por falta de documentos. O profissional seria enviado para a cidade de Santa Rosa do Tocantins, que deverá aguardar mais alguns dias a chegada do profissional.
Segundo a diretora de Atenção Primária da Secretaria de Saúde do Estado (SESAU), Nadir Santos, o encontro dos profissionais permitirá que eles conheçam a realidade do Estado e as especificidades da região. “Eles ficaram por três semanas em Brasília para conhecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e agora estão conhecendo as condições de saúde do Tocantins. Considerando que no país deles não têm as doenças que temos aqui, eles vão poder conhecer sobre a leishmaniose (calazar), malária, dengue e também sobre a política de saúde do Estado”, explicou.
O presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado do Tocantins (COSEMS), Sinvaldo Moraes, contou que o mesmo encontro também acontecerá nos municípios onde os médicos irão atuar. “Os municípios já foram orientados para esse momento de recepção e de orientação de como funciona a saúde e as organizações regionais. Os profissionais vão ter a oportunidade de saber para onde os usuários do SUS devem ser encaminhados”, detalhou.
Expectativa
Para o médico Angel Remigio Lemes Dominguez, trabalhar no Brasil é muito gratificante, pois, segundo ele, o médico cubano trabalha para o povo e não vive do povo. Ele contou que já trabalhou no Tocantins, no município de Lizarda, a 317 km da Capital, no período de 2002 a 2005. Agora ele irá atuar no Distrito Sanitário Indígena. (Jornal do Tocantins)




