Consumidores do Pará protestaram nas redes sociais contra o aumento da tarifa de energia no estado, que foi autorizado pela Aneel na última terça-feira (5). O médico David Ricardo compartilhou uma imagem associando o reajuste, que será de 34,34% para os consumidores residenciais, a um “assalto autorizado pela agência reguladora”. “Este aumento já significou uma mudança. Desde ontem começamos a apagar a luz no pátio de casa. Eu já me preocupo em como ficará a conta do próximo mês, se eu vou ter que cortar o meu lazer não aumentar o consumo”, disse.
De acordo com o médico, um dos fatores que incomoda os consumidores é a impossibilidade de escolher outra empresa para o fornecimento de energia. “Adoraria ter opção de escolha. Se houvesse concorrência, acredito que haveria chance do valor ser consideravelmente menor. Todo monopólio gera esses absurdos, e quem paga a conta é o consumidor”, pondera.
Porém, mesmo se as chuvas aumentarem, o paraense vai continuar pagando uma conta de luz mais cara: o reajuste autorizado pela Aneel só deverá ser revisto no mesmo período de 2015.
Crise e impostos
Segundo a Celpa, a conta de luz do paraense é composta de duas parcelas: a primeira engloba os custos de produção, transmissão e gastos do setor que, segundo a empresa, estão em alta e não podem ser influenciados pela concessionária – eles são de responsabilidade das geradoras. Apenas a segunda parcela, que envolve os custos operacionais, remuneração de funcionários e lucro, pode ser gerida pela Celpa – por isso, dos 34,34% de aumento, apenas 1,61 ponto percentual ficaria com a Celpa. Isto significa, na prática, que a Celpa não aumentou seu lucro, mas está repassando o ônus do setor para os seus clientes.
Em um comunicado esclarecendo a composição da conta, a Celpa explica que 40,90% do custo corresponde ao custo para a geração da energia. O restante fica dividido entre tributos, que “abocanham” 31,60% da conta, custos de distribuição da própria Celpa (21,20%) e custos de transmissão e transporte que, somados, chegam a 6,30%. (G1 PA).




