Um Bairro Nossa Senhora Aparecida (ou Invasão da Coca-Cola) e meio de crianças e adolescentes, com idade entre 10 e 17 anos, trabalhava em Marabá quando os recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passaram de casa em casa, por ocasião do Censo Demográfico 2010. Ao todo, 4.997 menores de idade estavam – ou estão ainda – no batente como população economicamente ativa, embora, de acordo com o instituto, esse número seja suavemente menor do que o verificado dez anos antes, no Censo 2000, quando 5.148 garotos entraram na contagem como mão de obra para o município.
Entre 2000 e 2010, houve queda de 2,93% no número de crianças que trabalham em Marabá, conforme números divulgados pelo IBGE na última terça-feira (12), em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que este ano tem como tema: “Vamos Acabar com o Trabalho Infantil. Em Defesa dos Direitos Humanos e da Justiça Social”.
Segundo o instituto, em 2010 havia no Brasil 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos ocupados, o que representava 3,9% das 86,4 milhões de pessoas ocupadas com 10 anos ou mais de idade. Aqui no município, crianças e adolescentes ocupados são 5,36% num universo de 93.234 pessoas maiores de 10 anos que exercem atividade remunerada. Entre aos de sua idade, 39.747 indivíduos com entre 10 e 17 anos, eles representam 12,57%. Ou seja, de cada oito crianças e adolescentes nessa faixa etária, um trabalha.
REGIÃO SUDESTE Enquanto em Marabá houve redução no trabalho infantil, em Parauapebas, cuja sede está a 167 quilômetros, o número de crianças e adolescentes no batente aumentou 7,19%. Em 2000, o IBGE contou por lá 2.210 menores com idade de 10 a 17 anos em atividade e, dez anos depois, constatou 2.369 menores.
Em Redenção, a 344 quilômetros, no sul do Estado, o aumento da mão de obra infantil foi de 9,64%, passando de 2.034 crianças e adolescentes na labuta para 2.230 menores nessa condição.
Outro município de importância regional aqui no sudeste do Estado que também apresentou crescimento no número de trabalho infantil é Tucuruí, que tem sede a 260 quilômetros de Marabá. Lá, o crescimento da mão de obra de crianças e adolescentes aumentou 16,12%, saltando de 1.445 microsserviçais para 1.678 soldadinhos do mercado.
Ainda assim, estão em Novo Repartimento e Anapu o que se pode chamar de “escravidão infantil”. Em Novo Repartimento, a 161 quilômetros de Marabá, via Rodovia Transamazônica (BR-230), o trabalho infantil aumentou 52,7%, passando de 1.499 para 2.289 crianças e adolescentes segredados para tal.
Subindo a mesma BR, em Anapu, a 353 quilômetros, o trabalho infantil praticamente quadruplicou: a força de trabalho infantil “evoluiu” para 1.271 menores de idade em 2010, contra 263 em 2000. Isso é 13,71% da população local ocupada e 32,5% da população adolescente daquele município – onde, proporcionalmente, um em cada três crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, trabalha.
Pará envergonha
Se lugar de criança é na escola, no Pará escola é para os fracos. Isso porque, apesar de ter diminuído no Brasil como um todo, o número de crianças e adolescentes trabalhando não reduziu no Pará. Pejorado como “terra da escravidão”, o Estado é o líder absoluto tanto neste último quesito quanto em trabalho infantil, que, aliás, aumentou na Região Norte como um tudo. E o Norte foi a única do país a apresentar mais crianças e adolescentes trabalhando em 2010, em relação a dez anos antes.
Os dados apresentados pelo Fórum Nacional para a Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), em Brasília, por conta do Dia de Combate ao Trabalho Infantil, mostram que, enquanto em 2000 o número total de mão de obra infantil verificado no Estado foi de 179.611 casos – prevalecendo a faixa etária de 16 a 17 anos, com 82.322 ocorrências –, em 2010 houve registro total de 180.089 casos, 75.292 deles no referido grupo de idade. É como se um Parauapebas e um Canaã dos Carajás inteiros de crianças e adolescentes vivessem trabalhando. A maior incidência de casos no Pará foi verificada na faixa de 10 a 13 anos. Enquanto em 2000 o Pará registrava apenas 43.021 casos, em 2010 os números saltaram para 55.240 ocorrências. (André Santos – Correio Tocantins)




