De 2010 até o ano passado, o Tocantins registrou aumento de 49% no número de casos notificados de hepatites virais no Estado. Os casos passaram de 1.796 em 2010 para 2.677 em 2012, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SESAU). A SESAU iniciou um mapeamento em salões de beleza e outros estabelecimentos de estética para traçar estratégias de prevenção.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B, C e D. Milhões de pessoas no País são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Segundo o Ministério da Saúde (MS), elas correm o risco das doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causar danos mais graves ao fígado, como cirrose e câncer.
Conforme o MS, as hepatites B, C e D são transmitidas principalmente através de relações sexuais, além do uso de drogas intravenosas (seringas e agulhas compartilhadas) e aspiradas (canudos e cachimbo), de instrumentos de manicure, odontológicos e cirúrgicos não esterilizados ou esterilizados inadequadamente.
Já o tipo A é uma doença infecciosa aguda causada pelo vírus VHA, que é transmitido por via oral-fecal, de uma pessoa infectada para outra saudável, ou através de alimentos ou da água contaminada.
Prevenção
Além dos salões de beleza, também estão no foco do mapeamento as barbearias e tatuadores do Estado. As estratégias de prevenção visam profissionais e clientes.
Segundo o gerente de prevenção DST/AIDS e Hepatites Virais da SESAU, Alexandre Araripe, foi pedido aos secretários municipais de saúde para mapear esses estabelecimentos comerciais e enviar uma planilha para a coordenação de DST/AIDS da secretaria.
Ele disse ainda que o trabalho será complementado com ações de conscientização, como palestras e distribuição de cartilhas, com orientações da forma correta de esterilização dos materiais como alicates, lixas de unha, espátulas, palitos, lâminas, navalhas e agulhas.
Araripe informou que com o início do mapeamento observou que a maioria dos salões de beleza utiliza estufa para esterilizar materiais, por isso alertou que essa não é a melhor esterilização dos objetos, mas que o ideal e indicada é a esterilização no aparelho autoclave, após cada uso do material. Outra orientação é de que as pessoas possuam um kit individual.
Sabendo dos riscos de contaminação de doenças, a manicure Thais Costa, de 24 anos, contou que sempre pede que suas clientes levem seus kits pessoais, e que todo o trabalho é realizado com luvas e bacias com saquinhos descartáveis. A ação está sendo desenvolvida em parceria com o Sindicato de Salões de Beleza (SINBEL) e Vigilância Sanitária (VISA) do Estado. (JT)




