A reabertura do processo de contratação de um show nacional para o Enduro de Axixá do Tocantins trouxe à tona a origem detalhada dos recursos públicos destinados ao evento. O procedimento, publicado por inexigibilidade de licitação no fim de janeiro de 2026, mantém o valor global de R$ 1,1 milhão e volta a colocar o município no centro de um debate que envolve transparência, legalidade e prioridades na aplicação de emendas parlamentares.
De acordo com o processo administrativo, a maior parte do montante será custeada por emendas de deputados estaduais. O Jair Farias destinou R$ 200 mil, enquanto o Eduardo do Dertins também aportou R$ 200 mil para viabilizar o evento. Já o maior volume de recursos, R$ 500 mil, teve como origem emenda do Ivory de Lira, consolidando o peso das verbas parlamentares na composição financeira do contrato.
Os valores somam R$ 900 mil em recursos de emendas, complementados por R$ 200 mil do orçamento municipal. A nova configuração difere da tentativa anterior, cancelada após intervenções de órgãos de controle, quando a participação do Tesouro local era significativamente maior. Apesar da redistribuição das fontes, o custo total permanece o mesmo, o que mantém ativos os questionamentos sobre proporcionalidade do gasto frente ao cenário fiscal do município.
A retomada do processo ocorre em um contexto de vigilância ampliada por parte de órgãos de fiscalização e do Ministério Público, que já alertaram para o uso correto e vinculado das emendas parlamentares. Com a identificação pública dos parlamentares responsáveis pelos repasses, o debate ganha novos contornos políticos e institucionais, ampliando a cobrança por justificativas técnicas, impacto econômico mensurável e plena observância às regras que regem o uso do dinheiro público.




