Cerca de 400 mulheres ligadas ao movimento de trabalhadores rurais realizaram, na manhã desta segunda-feira (9), uma ocupação na Fazenda Santo Hilário, localizada no município de Araguatins, no Bico do Papagaio. A mobilização reúne participantes de diferentes regiões e ocorre em uma área de aproximadamente 2.462 hectares que há décadas é alvo de disputa judicial relacionada à destinação para reforma agrária.
O imóvel possui um histórico marcado por denúncias de violência no campo e irregularidades fundiárias. A área é reivindicada por movimentos sociais desde o início dos anos 2000 e chegou a ser objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou o cancelamento da matrícula da propriedade. Com essa decisão, formalizada em 2020, o terreno retornou ao domínio da União, situação que mantém o debate sobre sua destinação final.
A ocupação também busca chamar atenção para a situação de famílias que vivem próximas ao local. Desde 2013, cerca de 200 famílias permanecem acampadas nas proximidades da fazenda, às margens da rodovia TO-404, em uma área próxima ao lixão municipal. O grupo reivindica que o território seja destinado a projetos de reforma agrária e afirma que a definição da área poderia oferecer alternativa de moradia e produção para os trabalhadores rurais.
A mobilização integra uma série de atos realizados em várias regiões do país durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, que ocorre entre os dias 8 e 12 de março. Entre as principais reivindicações está a realização de vistoria fundiária e a definição sobre a destinação da área, medida considerada pelos manifestantes como necessária para reduzir conflitos agrários e dar segurança às famílias que aguardam uma solução para o território.





