
Eles lideram a lista dos pré-candidatos a deputado federal com maior probabilidade de eleição. São os nomes mais cotados até agora, segundo levantamento feito junto a líderes de vários partidos. A ex-primeira-dama do Estado Dulce Miranda (PMDB) é disparadamente o nome mais comentado em todo o Estado. Mas não está sozinha nesta condição. O jovem Alexandre Siqueira (PSDB), filho do governador Siqueira Campos, que vem sendo preparado para ser o novo sucessor do siqueirismo, também disputa a liderança desta lista.
Integram ainda a lista os deputados estaduais Josi Nunes (PMDB), José Geraldo (PTB) e Freire Júnior (PV), nomes muito bem posicionados no processo, já que seus partidos têm candidato a governador com chances de eleger deputado federal; o ex-secretário de Educação Danilo de Melo (PSB), que integra um segmento com tradição de eleger deputado federal; o secretário de Relações Institucionais de Palmas, Tiago Andrino (PP), que conta com a força do prefeito Amastha; e o empresário Nicolau Esteves (PT), que tem a seu favor a militância de seu partido, que não é pequena.
Mas nem todos serão eleitos. Para chegar lá terão que liderar a votação em suas coligações e ainda derrubar os atuais ocupantes das vagas que normalmente saem à frente na disputa. Dos oito nomes mais cotados, a estimativa com base em levantamentos dos próprios líderes é que serão eleitos quatro no máximo.
Em eleição para o Legislativo sempre há surpresa, portanto não se pode descartar a possibilidade de surgir nomes até então inexpressivos que terminam se elegendo. O ranking foi elaborado em consulta aos principais líderes dos vários partidos que estão na disputa.
Para chegar a esta lista devemos levar em consideração alguns critérios de análise. Primeiro, o da distribuição espacial, ou seja, cada nome apontado tem colégio eleitoral com alta densidade eleitoral. Segundo, integrar alguma coligação forte que tem pré-candidato a governador e tem condições reais de eleger deputado federal. Terceiro, o prestígio político e densidade eleitoral de cada nome apontado, bem como os apoios que reúne e capacidade de buscar financiamento para a campanha. Analisaremos caso a caso, conforme estes critérios.
Dulce Miranda, na esteira do prestígio do marido, poderá funcionar como carreadora de votos, tendo condições de puxar mais um. Tem voto em todos os municípios. O PMDB é o partido com maior capilaridade na política do Tocantins. Seu único problema: a candidatura de Marcelo Miranda ao governo. Se for confirmada Dulce não deve ser candidata a nenhum cargo. Além do impedimento legal, também o impedimento político. Marcelo teria dificuldade para costurar aliança com partidos como PT, PP, Pros e PV tendo a mulher como candidata a deputada.
Essa condição vale também para o governador Siqueira Campos que se for candidato à reeleição não poderá lançar Eduardo Siqueira candidato nem a deputado estadual. Muitos que dizem que Eduardo será candidato a deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e depois governador indireto, certamente desconhecem a legislação. Para ser candidato Eduardo depende incondicionalmente da renúncia do pai.
O jovem Alexandre Siqueira, pela tradição do siqueirismo, tem força para conquistar uma cadeira no Parlamento federal. Tem votos em todos os municípios. Ninguém fala sobre esta postulação. Mas o jovem foi preparado desde cedo para a missão. Tem espaço para crescer e dá uma nova imagem ao siqueirismo desbotado pela ação do tempo. O jovem Siqueira só tem chance se o pai não disputar a reeleição.
Os deputados Freire Júnior, Josi Nunes e José Geraldo têm chances reais, representam regiões com densidade eleitoral e estão praticamente sozinhos em seus colégios eleitorais. Freire Júnior é o único nome do sudeste e está bem posicionado a tiracolo de Marcelo Lelis, que cresce absurdamente como candidato a governador; Josi comanda a região sul e José Geraldo é o nome da região central, compreendendo toda a margem do Araguaia. Ainda tem a favor o fato de ser do partido que recebeu a filiação do pré-candidato ao governo Eduardo Siqueira Campos. Se Eduardo for o candidato ao governo, José Geraldo pode encomendar o terno da posse; se não for candidato, como tudo indica, a disputa fica mais difícil. Mas é um forte candidato a mudar de parlamento.
O secretário de Relações Institucionais de Palmas, Tiago Andrino, é outro nome muito bem posicionado que tem chances reais. Será o candidato do prefeito Amastha e o nome de Palmas na Câmara Federal. É jovem, tem demonstrado competência e humildade no comando da pasta. Para se eleger Andrino precisa contar com o esforço de Amastha, que terá de percorrer o Estado para completar a votação, pois só os votos de Palmas não serão suficientes para eleger um deputado federal.
O ex-secretário de Educação Danilo de Melo é um nome qualitativo. Tem trabalho prestado, tem colégio eleitoral garantido, os professores, que soma a maior contingente de funcionários públicos e já elegeu duas ex-secretárias da Educação, Nilmar Ruiz e Dorinha Seabra Rezende. Danilo tem alguns desafios a superar. Precisa entrar na lista dos nomes que o governo Siqueira Campos precisa ver eleito. Danilo já frequentou esta condição, mas saiu da lista dos preferidos ao deixar o cargo em divergências com Eduardo Siqueira Campos.
O partido de Danilo já elegeu um deputado, Laurez Moreira, que renunciou para virar prefeito de Gurupi. Com 16 prefeitos, o PSB tem obrigação de eleger um deputado federal na vaga de Laurez. Se não o fizer perder a chance de ser um partido com condições de eleger governador em 2018. O problema é que Laurez não está preocupado em eleger deputado pelo PSB, tem acordo para apoiar a deputada Josi Nunes (PMDB), que foi peça fundamental para ele conquistar a Prefeitura de Gurupi.
Por último, o empresário Nicolau Esteves, que abriu mão de ser candidato ao governo do Estado, como já era esperado, para disputar cadeira na Câmara Federal. O empresário tem dinheiro para financiar a campanha e conta com a fidelidade da militância, nestas condições é possível que conquiste algo inédito, ser o primeiro deputado federal eleito pelo Tocantins. Nicolau precisa acertar melhor o seu discurso que até aqui tem sido personalista, meio forçado e pouco ajustado à realidade do PT no Tocantins, acostumado ao discurso do companheiro trabalhador. Nicolau precisa encontrar o seu lugar no PT, o de empresário bem-sucedido, com ideias esquerdizantes. Se conseguir mostrar que tem ideias tem chances.
Ressalto, porém, que eleição para o Legislativo sempre tem surpresas. Com precaução listamos aqui outros nomes que estão na disputa e que podem vir a ocupar o lugar dos mais cotados. O ex-senador Leomar Quintanilha (PMDB), o empresário Benedito Faria, Dito do Posto (PMDB), o deputado Sargento Aragão (Pros), o ex-presidente do PT Donizeti Nogueira (PT), o empresário Humberto Lima e Silva (PR), dentre outros. (Jornal Opção – Ruy Bucar)




