No Brasil 190.755.799 pessoas têm alguma deficiência. No Tocantins, mais de cem mil pessoas têm problemas visuais, auditivos, motores ou intelectuais. Visando a promoção da igualdade de direitos e a consciência da população quanto à necessidade de integração das pessoas com deficiência, desde 1998 foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comemorado amanhã.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Estado (Sesau), 107.394 pessoas possuem alguma deficiência. A maioria dos casos é de deficiência visual, com 49.706 registros, o que corresponde a 44,3% do total. Em seguida, vêm as deficiências físicas, com 24.217 ocorrências, representando 22,5% dos casos. Ainda conforme a Sesau, a causa mais comum para o segundo tipo de deficiência são acidentes de trânsito. Só no primeiro semestre deste ano (de janeiro a julho) foram contabilizados 2.451 acidentes, dos quais 985 foram com vítimas. No mesmo período, 1.217 pessoas ficaram feridas e 15 morreram.
Adaptação
Há 24 anos o juiz Adhemar Chufalo Filho foi forçado a se adaptar à realidade de cadeirante. Devido a um acidente de moto ele precisou amputar as duas pernas e quase perdeu o braço esquerdo. No entanto, ele afirma que nunca se revoltou com a nova situação. “Desde o começo eu enfrentei de uma maneira muito natural. Durante os quatro meses que eu fiquei internado no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto fui acompanhado por psiquiatras e psicólogos para saber se tinha alguma sequela, e depois de três eu recebi alta. Foi só uma questão de me adequar à nova situação”, diz.
Após o acidente, Chufalo retomou os estudos e foi aprovado em um concurso para juiz de direito no Tocantins, sem utilizar as vagas para cotistas e atualmente trabalha em Porto Nacional e também atua como juiz substituto em Ponte Alta e na Turma Recursal de Palmas. Embora conte com o apoio da esposa e da filha, fez adaptações no carro e na casa que lhe garantem independência.
“Eu consigo me locomover sem ajuda, mas a nossa cidade ainda não está preparada. Tem muitas rampas, mas não tem como o deficiente físico acessar, devido à diferença de altura entre as calçadas. Além disso, a sociedade ainda não respeita as vagas para deficientes e nem as entradas das rampas. A acessibilidade na cidade é meio complicada, mas devagarzinho as coisas vão se ajeitando”, afirma. (Jornal do Tocantins)




