A alavancada no preço do açaí vem retraindo as vendas nas feiras, mercados e pontos de vendas da Grande Belém. Nos últimos três meses, os comerciantes sentiram um arrefecimento na ordem de 30% na comercialização do produto. A alta nos custos do fruto é justificada pela expansão das exportações, e, sobretudo, por conta do período de entressafra – que começou em janeiro e vai até meados de junho, segundo afirmam os vendedores. A saída, na opinião dos consumidores, é trocar o açaí por outras frutas regionais, que também podem ser aproveitadas como sobremesas. Mas alguns paraenses adotaram a fruta como parte do prato diário e não abrem mão do hábito, consumindo, por conta do alto preço, o tipo fino.
Diluir em água, reduzir a quantidade ou fazer pesquisa de preço. Vale tudo para os consumidores adeptos ao açaí não deixarem de saborear o fruto. A doméstica Maria Batista, de 65 anos, disse que vem reduzindo a compra, substituindo parcialmente o produto por refrigerantes e sucos de frutas regionais. ‘Está tudo muito caro, e não dá mais para tomar o açaí todo dia. Neste caso, apelamos para outras alternativas, mais em conta, sendo que o fruto vem sendo adquirido em menor quantidade’, afirma a doméstica, informando que em sua casa apenas duas pessoas consomem o produto. Já o comerciante Mário Barbosa, de 46 anos, argumenta que não encontrou saída senão pesquisar os preços. ‘Os paraenses que se prezam não vivem sem o açaí. Mesmo com a alta nos custos, não deixo de comprar. Apenas deixei de lado o tipo médio, passando a adquirir o tipo fino’, comenta, frisando que pesquisar é importante.
O vendedor Salomão Campos assegura: a exportação é o principal fator para a ascensão dos preços do açaí. Ele, que comercializa o produto há quase uma década no bairro do Guamá, diz que nunca viu o custo do produto chegar a patamares tão altos. ‘Não vai voltar aos mesmos preços do passado quando a safra chegar. Pode até haver recuo, mas não na mesma proporção’, antecipa. Pior para o consumidor, que deve pagar algo em torno de R$ 10 no açaí do tipo médio. Pelo menos é o que afirma o comerciante Claudio Costa, que vende o produto na feira da avenida Romulo Maiorana. Para ele, a entressafra é o maior problema. ‘O cliente quer qualidade e por isso não reclama dos preços. Ainda assim, deveriam ser implementadas políticas governamentais para incentivar o plantio e controlar as exportações’, sugere. (Amazônia Jornal)




